A perda de sinal em estradas e zonas remotas, conhecidas como “zonas de sombra”, representa historicamente o maior gargalo para a segurança e eficiência das operações de carga. A IoT via satélite para a logística e transporte surge exatamente para eliminar esses pontos cegos, garantindo visibilidade total da frota, independentemente da infraestrutura terrestre.
Diferente do GPS tradicional, que apenas posiciona o veículo, a transmissão de dados via satélite permite o tráfego de informações complexas de telemetria. Isso significa monitorar diagnósticos do motor, temperatura da carga e status de segurança em qualquer lugar do planeta, sem depender das antenas de celular.
Segundo a Abrasat, esse mercado segue em plena expansão, impulsionado pela necessidade de dados ininterruptos.

Como o IoT via satélite se tornou realidade na logística e transporte?
Há poucos anos, a conectividade satelital era tratada como uma tendência futurista ou restrita a nichos muito específicos. Hoje, ela é uma necessidade operacional mandatória para contratos de transporte de alto valor agregado e para a gestão de riscos securitários. O que antes era diferencial, agora é requisito básico de compliance.
Essa evolução valida as previsões feitas por especialistas do setor. Antonio Wrobleski, membro do Conselho da BBM Logística e parceiro da Modal Connection, já antecipava esse movimento: “Eu não tenho dúvida nenhuma de que a utilização crescerá exponencialmente nos próximos cinco anos, pois, isso é um grande facilitador”.
A previsão se concretizou: a otimização de rota e cadeia de suprimentos com dados de satélite democratizou-se, saindo dos grandes navios para equipar frotas rodoviárias e maquinários agrícolas.
Saiba mais: Como implementar um sistema de rastreamento de cargas perigosas com IoT?
Como o IoT via satélite funciona no setor logístico e de transporte?
Para entender a aplicação técnica sem complexidade, é preciso distinguir as camadas de infraestrutura. Temos os satélites GEO (Geoestacionários), que cobrem vastas áreas e são ideais para mensagens curtas, e as constelações LEO (Baixa Órbita, como a Starlink), que oferecem menor latência e maior capacidade de dados.
No entanto, o “pulo do gato” para a eficiência de custos é a conectividade híbrida.
O segredo não é usar apenas o satélite, mas dispositivos inteligentes que priorizam a rede celular (4G/LTE) e alternam automaticamente para o satélite apenas quando o sinal terrestre cai. Isso garante a continuidade dos dados sem explodir o orçamento de telecom.
Um avanço crucial dessa tecnologia é a comunicação bidirecional para contêineres refrigerados. Não se trata apenas de receber um alerta, mas de enviar comandos.
Se um contêiner reefer sofrer alteração de temperatura no meio do oceano ou em uma estrada deserta, o gestor pode comandar o ajuste remotamente via satélite, salvando a carga.
Veja também: Gestão de armazéns: IoT na visibilidade de estoque
Aplicações do IoT via satélite para a logística e transporte
A versatilidade dessa tecnologia permite resolver dores específicas de diferentes verticais logísticas. Veja os três principais casos de uso:
Segurança e rastreamento de ativos de alto valor
O roubo de carga é uma preocupação constante, e os criminosos frequentemente utilizam jammers para bloquear o sinal de celular dos rastreadores comuns. Aqui entra a vantagem do rastreamento de ativos em tempo real por satélite.
A tecnologia satelital opera em frequências diferentes e é muito mais difícil de ser bloqueada ou “jammeada” do que o sinal GSM. Isso garante que, mesmo em uma tentativa de sinistro onde a comunicação terrestre é derrubada, o ativo continua visível para a central de monitoramento, permitindo uma pronta resposta.
Gestão de frotas em áreas remotas
Para setores como agronegócio, mineração e energia, a operação acontece onde o sinal de celular não chega. A telemetria de veículos em áreas remotas é vital para essas indústrias.
Colheitadeiras no interior do Mato Grosso ou caminhões em minas no Pará precisam enviar dados de produtividade, consumo de combustível e manutenção preditiva. Com a IoT via satélite, a gestão de frotas deixa de ser baseada em “estimativas” e passa a ser baseada em dados reais, independente da localização geográfica.
Monitoramento ambiental e cadeia fria
O transporte de fármacos e alimentos perecíveis exige rigoroso controle de temperatura e umidade. Para isso, são utilizados sensores IoT de Baixo Consumo para logística.
Esses dispositivos possuem baterias de longa duração e transmitem dados críticos de condição da carga. A conectividade satelital garante que a trilha de auditoria nunca seja interrompida, provando aos órgãos reguladores que a vacina ou o alimento foi mantido nas condições ideais durante 100% do trajeto.
Confira: Monitoramento multimodal: integrando tecnologias para uma logística inteligente e sustentável
Sustentabilidade no uso de IoT via satélite na logística de transporte
A tecnologia é uma aliada direta das metas ESG das empresas. Ao garantir a otimização de rota e cadeia de suprimentos com dados de satélite, evita-se que veículos percorram quilômetros desnecessários ou fiquem ociosos com o motor ligado, reduzindo drasticamente o consumo de combustível e as emissões de CO2.
Além disso, a IoT para logística sustentável atua na redução do desperdício. Ao monitorar a cadeia fria em tempo real, evita-se que toneladas de alimentos sejam descartadas por falhas de refrigeração não detectadas a tempo, tornando a cadeia de suprimentos mais verde e eficiente.

Desafios e custos da implementação do IoT via satélite
É preciso ser transparente: o hardware e o tráfego de dados via satélite possuem um custo superior ao das redes celulares convencionais. No entanto, o cálculo do ROI deve considerar o custo da “não-visibilidade”, como a perda total de uma carga ou o tempo de máquina parada.
Outro desafio é a integração tecnológica. Como pontuado por Antonio Wrobleski, “o que eu tenho visto mais em uso é literalmente a conexão entre o armazém por si, a separação da carga e a saída para a transportadora”. Ou seja, o desafio não é mais captar o dado, mas integrá-lo.
Para que o investimento valha a pena, a solução de IoT deve conversar com o TMS e o ERP da empresa. Wrobleski reforça que a tecnologia “faz aquilo que chamamos de conectividade, conecta pessoas, equipamentos.Tudo em uma rede muito lógica”.
Sem essa integração das pontas, o dado via satélite torna-se apenas um número isolado, sem valor estratégico.
Entenda: Rastreamento de transporte de cargas: diferenciais e impactos na redução dos custos
O futuro do IoT via satélite na logística e transporte
O futuro da logística é híbrido e conectado. A tendência de miniaturização dos terminais e a redução de custos trazida pelas novas constelações LEO tornarão essa tecnologia onipresente, garantindo que nenhuma carga fique no escuro.
Para entender mais sobre o IoT via satélite para a logística e transporte, além de outros assuntos envolvendo os setores de logística e modais, continue acompanhando o Modal Connection.
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