A infraestrutura logística é um dos pontos centrais na agenda de desenvolvimento do Brasil, especialmente para atender demandas de escoamento de produção, reduzir custos de transporte e tornar as exportações mais competitivas.

Neste sentido, o BRICS, o Novo Banco de Desenvolvimento (NDB) – também chamado de Banco do BRICS – tem emergido como uma fonte importante de financiamento para tais projetos.

Ao longo deste artigo, vamos entender melhor quais são os planos do NDB para o Brasil em logística, que projetos estão sendo considerados, qual o montante previsto, quais estados devem se beneficiar e como isso se alinha às necessidades nacionais.

Continue lendo e veja como esse investimento deve impactar a logística nacional!

Projetos estratégicos no radar do NDB para logística no Brasil

Alguns projetos específicos já foram identificados como potenciais beneficiários de linhas de crédito ou parcerias com o NDB, especialmente no transporte intermodal, ferrovias e portos. São eles:

  • Transnordestina: a ferrovia que conecta o interior do Nordeste aos portos de Suape (PE) e Pecém (CE). É vista como projeto chave para escoar a produção agroindustrial da região Nordeste. 
  • Ferrovia de Integração Oeste-Leste (FIOL) e Ferrovia de Integração Centro-Oeste (FICO): formam o corredor Leste-Oeste para facilitar o transporte do agronegócio, conectando o oeste da Bahia e ampliando acesso ao Norte/Centro-Oeste.
  • Prolongamento da Ferrovia Norte-Sul até o porto de Vila do Conde, no Pará, como uma alternativa de escoamento via Norte, aliviando rodovias e portos do Sudeste/Sul.
  • Portos e terminais nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste, modernização de infraestrutura portuária para lidar com navios maiores, terminais intermodais, além de integração ferrovia-porto.
  • Projetos relacionados à transição energética na logística, como a adoção de fontes limpas no transporte pesado, eletrificação de frotas ou infraestrutura para hidrogênio verde, embora estes ainda estejam em fase de planejamento ou em análise técnica. 

Recursos previstos, regiões beneficiadas e alinhamento com necessidades nacionais

Em agosto de 2025, foi anunciada uma linha de financiamento do NDB de US$ 500 milhões (cerca de R$ 2,7 bilhões) para infraestrutura e logística no Brasil.

Além desse aporte, o governo brasileiro apresentou uma carteira de projetos ao NDB, em que entram estradas, portos, ferrovias e obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) com foco nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste.

O NDB inclusive, já aprovou, ao longo de sua existência, vários projetos no Brasil: segundo Dilma Rousseff, presidente do banco, foram 29 projetos brasileiros aprovados, totalizando aproximadamente US$ 7 bilhões; desses, cerca de US$ 4 bilhões já foram desembolsados.

Estados e regiões com maior potencial de impacto

O pacote de investimentos do Novo Banco de Desenvolvimento não terá efeitos uniformes em todo o país.

Algumas regiões devem ser especialmente beneficiadas, seja pela localização estratégica para o escoamento das exportações ou pela concentração de cadeias produtivas que dependem diretamente de melhorias logísticas.

Norte, Nordeste e Centro-Oeste despontam como protagonistas nesse cenário, recebendo projetos que prometem transformar corredores de transporte, integrar modais e fortalecer a competitividade regional no mercado global. Veja:

  • Nordeste: com fortíssimos ganhos esperados via Transnordestina e corredores logísticos para portos como Pecém e Suape, além de terminais portuários e ferrovias que conectem o interior produtivo ao litoral para exportações
  • Norte: extensão da Norte-Sul até o Pará (porto de Vila do Conde), modernização de hidrovias e portos, infraestrutura rodoviária de apoio e energia nas rotas logísticas.
  • Centro-Oeste: conexão por ferrovia (FIOL e FICO) e integração intermodal para transporte de grãos e produtos agrícolas, com objetivo claro de reduzir custos de transporte e tempo de escoamento. 

Alinhamento com necessidades nacionais

O setor logístico brasileiro sofre com gargalos expressivos: estradas congestionadas, ferrovias incompletas ou subutilizadas, portos com limitações operacionais e altos custos de transporte.

O alinhamento com os projetos do NDB se dá, neste caso, porque muitos dos investimentos visam justamente mitigar os pontos fracos.
A ênfase no transporte intermodal e nas ferrovias reduz a dependência excessiva das rodovias e contribui para uma menor emissão de gases, menor custo por tonelada transportada e maior segurança logística para as exportações.

Também, o foco em regiões que historicamente ficaram de fora dos grandes investimentos do Sudeste/Sul (Norte, Nordeste e Centro-Oeste) ajuda na integração nacional, descentralização de infraestrutura e desenvolvimento regional.

Desafios, prazos e o que esperar para o ano de 2025

Embora os planos sejam ambiciosos, alguns desafios persistem e influenciarão o quanto desse investimento poderá se concretizar em 2025:

  • Capacidade técnica e regulatória: elaboração dos estudos de viabilidade, licenciamento ambiental, desapropriações, consolidação de modelos regulatórios estáveis são pré-requisitos que podem atrasar os cronogramas.
  • Segurança jurídica e modelos de concessão/autorizações: projetos ferroviários para que sejam atrativos ao investimento privado demandam clareza regulatória, contratos estáveis e a garantia de retornos compatíveis.
  • Captação e desembolso efetivo dos recursos: aprovação de linhas de crédito não garante que a execução comece imediatamente; será preciso movimentar entidades federais, estaduais e privadas.
  • Integração com transição energética: incorporar eletrificação, combustíveis limpos ou hidrogênio demanda infra-estrutura de energia, incentivos e tecnologias maduras.

Quanto aos prazos, muitos projetos ainda estão em fase de planejamento ou estudo técnico.

Alguns leilões ou concessões devem ser lançados ainda este ano, mas é previsível que grande parte da implementação comece a ganhar ritmo mais intenso em 2026 e 2027.

O aporte de US$ 500 milhões é um indutor, mas não necessariamente cobrirá todos os projetos previstos. Espera-se que ele funcione como alavanca para recursos adicionais, públicos e privados.

BRICS vem para fortalecer a infraestrutura logística do Brasil

O Novo Banco de Desenvolvimento do BRICS aparece como ator estratégico no fortalecimento da infraestrutura logística no Brasil, especialmente para corredores de exportação, modernização de portos, ferrovias e transporte intermodal.

Com investimentos previstos na casa dos bilhões de dólares – como os US$ 500 milhões oficialmente pactuados – e dezenas de projetos já aprovados ou em negociação, há um claro movimento para enfrentar os principais gargalos logísticos. 

Estados do Nordeste, Norte e Centro-Oeste devem ser os grandes beneficiados, assim como setores ligados ao agronegócio, comércio exterior e produção industrial.

Apesar dos desafios técnicos, regulatórios e de implementação, a combinação de demanda real, política prioritária e capacidade de financiamento do NDB sugere que ainda em 2025 haverá passos concretos e visíveis na logística brasileira.

Para o setor e para o Brasil, isso pode significar menor custo logístico, maior competitividade e integração regional mais ampla, aspectos que podem impulsionar o segmento ainda mais.

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