Em 2026, decidir parceiros logísticos apenas com base na tabela de frete é operar no escuro. O comércio exterior brasileiro entrou em uma fase em que resiliência, previsibilidade e inteligência de dados pesam tanto quanto o custo final da operação.
Segundo a Gartner, até 2026 cerca de 75% das empresas globais deverão aplicar práticas de Decision Intelligence; essa tendência tem implicações claras para a supply chain, onde ferramentas de DI e IA podem ser usadas para prever riscos e orientar decisões logísticas.
Isso muda completamente a forma de planejar importação e exportação no Brasil, e coloca pressão competitiva sobre quem ainda depende apenas da intuição.

A consolidação da DUIMP como realidade operacional
O Novo Processo de Importação deixou de ser promessa e passou a ser prática. Em 2026, a DUIMP se consolida como o modelo padrão, substituindo definitivamente a lógica fragmentada de LI e DI por uma abordagem baseada em dados estruturados.
O Catálogo de Produtos se torna o centro da operação. A padronização reduz retrabalho, acelera o desembaraço e melhora a previsibilidade.
Para empresas certificadas como OEA, o avanço é ainda mais relevante: o PL 15/2024 viabiliza o pagamento diferido de tributos, trazendo impacto direto no fluxo de caixa, um ponto sensível para CFOs e diretores financeiros.
Outro ganho estrutural está na interoperabilidade. Receita Federal, Anvisa e MAPA passam a trocar informações de forma automática, reduzindo gargalos e erros comuns na conferência documental.
Saiba mais: Você sabe quem são os players da sua importação?
Geopolítica, novos acordos e rotas comerciais em disputa
O cenário global segue fragmentado. Tensões comerciais, políticas protecionistas e conflitos regionais afetam diretamente o planejamento estratégico do comércio exterior brasileiro em 2026.
Nesse contexto, surgem oportunidades e riscos que devem ser pontos de atenção:
| Fator Global | Impacto para o Brasil |
|---|---|
| Protecionismo nos Estados Unidos | Sobretaxas podem abrir espaço para manufaturados brasileiros em alguns mercados, mas também encarecem insumos estratégicos e componentes importados. |
| Friendshoring e Nearshoring | O Brasil ganha relevância como fornecedor estável para cadeias ocidentais que buscam reduzir a dependência produtiva da Ásia. |
| Novos acordos comerciais do Mercosul | A negociação com a União Europeia avança lentamente, enquanto Oriente Médio e Ásia ganham peso como destinos estratégicos para exportações brasileiras. |
O desafio não está apenas no acordo assinado, mas na burocracia aduaneira exigida por novos parceiros.
Confira: Como a tecnologia está redesenhando o Comércio Exterior
Logística 4.0 e o avanço da IA decisiva
A logística em 2026 deixa de ser reativa. A chamada Logística 4.0 avança para um modelo em que a inteligência artificial não apenas monitora, mas decide.
Sistemas baseados em tecnologias preditivas para supply chain global analisam histórico, clima, risco geopolítico e capacidade portuária para sugerir rotas alternativas em tempo real. Em vez de apenas avisar sobre atrasos, os algoritmos indicam planos de contingência antes da ruptura.
No Brasil, esse avanço dialoga com limitações estruturais. A alta do diesel, a escassez de motoristas e gargalos rodoviários tornam cabotagem e ferrovias peças estratégicas como plano B logístico, especialmente para operações de longo curso.
Entenda: Integração de tecnologias para logística multimodal: quais são as principais e benefícios?
Sustentabilidade como requisito de acesso ao mercado
Em 2026, a sustentabilidade deixa de ser diferencial de marketing e passa a funcionar como visto de entrada para mercados internacionais.
O lançamento do Selo Verde Brasil, em meados de 2026, estabelece critérios claros para rastreabilidade e impacto ambiental. Ao mesmo tempo, a União Europeia intensifica a cobrança sobre emissões do Escopo 3, incluindo transporte e logística.
Na prática, isso significa que uma operação logística ineficiente ou poluente compromete a competitividade do produto final. ESG passa a ser uma variável direta no custo e no acesso ao mercado.

Veja também: Entenda o que são práticas ESG e como a logística internacional está se adaptando a elas
O que o Brasil importa e exporta em 2026? Volume x valor
Embora as commodities sigam liderando em volume, o crescimento mais acelerado está nos produtos de maior valor agregado.
De acordo com dados do Ministério da Agricultura e Pecuária, com base no sistema ComexStat (MDIC), o agronegócio respondeu por cerca de 48,9 % das exportações brasileiras em 2024, mantendo o setor como principal pilar do comércio exterior brasileiro.
Enquanto isso, segmentos de alta intensidade tecnológica também vêm registrando crescimento nas exportações de bens manufaturados, destacando o papel de produtos de maior valor agregado.
Panorama do comércio exterior brasileiro
Em 2025, o Brasil registrou recorde histórico nas exportações, que somaram cerca de US$ 349 bilhões, segundo dados do MDIC.
O agronegócio manteve papel central, respondendo por aproximadamente 48% a 49% do total exportado, impulsionado principalmente por soja, petróleo bruto, minério de ferro, carnes e açúcar.
A soja atingiu volume recorde de cerca de 108 milhões de toneladas embarcadas, enquanto o petróleo bruto figurou entre os produtos de maior valor exportado, com aproximadamente US$ 44 bilhões.
No fluxo de importações, destacaram-se fertilizantes, combustíveis, máquinas e medicamentos, refletindo a dependência brasileira de insumos estratégicos e bens industriais.
Para 2026, a tendência é de manutenção da relevância das commodities na pauta exportadora, ao mesmo tempo em que se observa crescimento gradual de produtos de maior valor agregado, especialmente da indústria de transformação, ainda sem alterar de forma significativa a estrutura do comércio exterior brasileiro.
Saiba mais: Importação empresarial simplificada: como otimizar sua operação de compras da China com esse serviço
Projeções econômicas e custos logísticos em 2026
O MDIC estima um superávit comercial entre US$70 e 90 bilhões em 2026, sustentado pelo agronegócio e pela indústria de transformação. O crescimento do volume logístico acompanha esse movimento.
A volatilidade cambial segue como fator crítico. Empresas com receitas em dólar tendem a adotar hedge natural e ampliar o uso de instrumentos como ACC e ACE para proteger margens.
Já o frete internacional em 2026 permanece pressionado por instabilidades geopolíticas e restrições de capacidade em rotas estratégicas.
Logística estratégica como diferencial competitivo no Comex
A burocracia diminuiu com a digitalização e a DUIMP, mas a complexidade estratégica aumentou. Planejar importação e exportação no Brasil em 2026 exige visão integrada de dados, acordos comerciais, tecnologia e sustentabilidade.
É nesse cenário que a logística deixa de ser custo operacional e passa a ser vantagem competitiva real.
A Intermodal South America 2026 acontece de 14 a 16 de abril, no Distrito Anhembi, em São Paulo, celebrando sua 30ª edição como um dos eventos mais importantes da história do setor. O credenciamento gratuito já está aberto e reúne os principais players de logística, transporte, tecnologia e comércio exterior.
Leia mais
- Análise do comércio exterior na América Latina
- Logística de valores e transporte de cargas de alto valor
- Uruguai logístico: 9 fatos que beneficiam empresas brasileiras
- Canadá como protagonista global na indústria de cadeia de suprimentos e logística
- AFC: Entenda o Acordo de Facilitação do Comércio
- Certificação Halal: logística para países muçulmanos
- Global Sourcing: prática da logística global
- Novas regras para transporte de animais: logística com foco em bem-estar e competitividade
- IA no comércio exterior: eficiência, automação e sustentabilidade
- Impactos e tendências da regionalização das cadeias produtivas