O BIM, tecnologia que transformou profundamente o setor da construção civil, vem ampliando o seu campo de aplicação e mostrando resultados relevantes também nas infraestruturas ferroviárias. 

A modelagem digital tem contribuído para mais eficiência no planejamento, na execução e na gestão de ativos ao longo de todo o ciclo de vida dos projetos. 

Nas ferrovias, esses avanços se traduzem em melhor integração entre disciplinas, redução de riscos e tomada de decisão mais precisa. 

É sobre esse movimento e seus impactos no setor ferroviário que propomos a tratar a seguir. Continue acompanhando este artigo para saber mais!

O que é BIM?

O BIM, sigla para Building Information Modeling ou Modelagem da Informação da Construção, é uma plataforma que integra, em um único ambiente digital, todas as informações técnicas de um empreendimento. 

Mais do que um software, trata-se de um conjunto de tecnologias e processos colaborativos que permitem criar, utilizar e atualizar modelos digitais ao longo de todo o ciclo de vida da obra, do projeto à operação.

Por meio do BIM, diferentes agentes envolvidos — projetistas, engenheiros, construtoras e gestores — trabalham de forma integrada, com dados consistentes e compartilhados, reduzindo retrabalhos e aumentando a previsibilidade. 

Estudos da Fundação Getúlio Vargas indicam que o uso do BIM pode reduzir em até 9,7% os custos totais das obras e cerca de 20% nos custos de insumos, reforçando seu papel estratégico em investimentos ferroviários.

Benefícios do BIM para o setor ferroviário

A adoção do BIM no setor ferroviário tem ampliado a capacidade de planejamento, execução e gestão de obras lineares, trazendo ganhos técnicos e operacionais relevantes ao longo de todo o ciclo de vida dos empreendimentos. Entre as principais vantagens, destacamos:

  • Planejamento mais preciso de obras e expansões: a modelagem digital permite análises prévias detalhadas, com levantamento de quantidades, estimativas de custos e avaliação de cenários, aumentando a previsibilidade e a qualidade das decisões estratégicas;
  • Redução de custos e prazos por meio de simulações digitais: a realização de simulações e compatibilizações antecipadas diminui erros, retrabalhos e imprevistos, contribuindo para maior controle de prazos, produtividade e uso eficiente de recursos;
  • Integração entre diferentes disciplinas: o BIM favorece a coordenação entre áreas como engenharia civil, elétrica e logística, garantindo que alterações em um projeto sejam refletidas de forma consistente nas demais disciplinas;
  • Melhoria na manutenção preventiva e gestão de ativos: ao concentrar informações técnicas em modelos digitais atualizados, a metodologia apoia a gestão de ativos ferroviários, a manutenção das vias e a eficiência das operações ao longo do tempo.

Casos de uso do BIM em ferrovias

No Brasil e no exterior, diferentes experiências demonstram como a modelagem da informação contribui para ganhos técnicos, operacionais e institucionais no setor. A seguir, veja alguns exemplos:

Experiências no Brasil

No contexto brasileiro, o BIM vem sendo incorporado em projetos estratégicos de expansão da malha ferroviária. 

A Ferrovia de Integração Oeste-Leste (FIOL) e a Ferrovia de Integração Centro-Oeste (FICO), por exemplo, utilizam a metodologia como suporte ao planejamento técnico, à gestão ambiental e aos processos de desapropriação.

Já na Ferrovia Norte-Sul, especialmente nos trechos Central e Extensão Sul, o BIM tem apoiado o desenvolvimento de projetos mais confiáveis, com melhor controle de custos, prazos e riscos.

Referências internacionais

Em países que lideram a transformação digital da infraestrutura, o BIM é amplamente adotado em ferrovias:

  • No Reino Unido, o projeto Crossrail consolidou o uso de ambientes comuns de dados e processos colaborativos em larga escala;
  • Na Alemanha, a Deutsche Bahn estabeleceu diretrizes institucionais para a aplicação do BIM em obras ferroviárias, integrando planejamento, execução e gestão de ativos; e
  • Na China, a metodologia é aplicada de forma extensiva em ferrovias de alta velocidade e sistemas urbanos, com foco em eficiência construtiva e gestão do ciclo de vida.

Marco regulatório e diretrizes no Brasil

O avanço do BIM no setor ferroviário brasileiro é impulsionado por políticas públicas. 

O Decreto nº 11.888/2024, no âmbito da Estratégia BIM BR, estabeleceu diretrizes para estimular o uso da modelagem da informação em obras públicas. 

O Programa BIM BR reforça esse movimento ao promover padronização, capacitação e disseminação da metodologia, criando condições para sua adoção estruturada em projetos ferroviários de diferentes portes.

Perspectivas futuras

O avanço do BIM nas ferrovias aponta para um uso cada vez mais integrado e estratégico. Entre as principais perspectivas para o setor estão:

  • Integração com IoT e inteligência artificial: ampliação da manutenção preditiva, a segurança e o monitoramento das operações;
  • Uso ao longo de todo o ciclo de vida: do projeto à operação e manutenção dos ativos ferroviários;
  • Padronização e interoperabilidade: com evolução de normas e bibliotecas específicas para obras lineares;
  • Maior exigência contratual: especialmente em obras públicas, fortalecendo governança e transparência;
  • Capacitação técnica e cultural: com foco em trabalho colaborativo e qualificação profissional.

Essas perspectivas reforçam o BIM como base para a modernização e a inovação contínua do setor ferroviário.

Mais aplicações do BIM no setor ferroviário: cases Itália e Austrália

Para explicar melhor sobre o que é e como essa inovação tem sido utilizada em nosso campo, conversamos com Washington Luke, engenheiro, mestre em estruturas, diretor de empreendimentos da VALEC Engenharia e coordenador executivo da Frente Parlamentar BIM, em Brasília.

Quer saber mais? Baixe o material a seguir e tire suas dúvidas sobre este tema de grande importância para os profissionais ferroviários de todas as áreas.

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