A logística reversa para economia circular deixou de ser apenas uma exigência regulatória e se tornou um diferencial competitivo. Hoje, empresas que conseguem estruturar esse processo não apenas reduzem impactos ambientais, mas também fortalecem sua eficiência operacional e reputação no mercado.
Mais do que coletar resíduos, a logística reversa exige planejamento, tecnologia e integração entre diferentes elos da cadeia. É nesse ponto que operadores logísticos assumem protagonismo: eles oferecem infraestrutura, rastreabilidade e soluções customizadas para cada setor.
Reinaldo Soares de Camargo, doutor em Economia pela Universidade Católica de Brasília, destaca:
“Ao permitir reciclagem, reuso e remanufatura, ela diminui impactos ambientais, reduz emissões e estimula modelos produtivos mais eficientes e sustentáveis.”
Serviços que agregam valor
Empresas de logística vêm ampliando sua atuação com:
- Sistemas de coleta e devolução em pontos de venda e centros de distribuição;
- Gestão integrada de resíduos, com rastreamento digital e certificações que comprovam a destinação correta;
- Parcerias com cooperativas e recicladores, fortalecendo a cadeia e garantindo escala;
- Modelos de refil e reciclagem de ciclo fechado, que reduzem custos e criam novas oportunidades de receita.
“Além disso, investem em rastreamento digital e certificações de reciclagem para comprovar destinação adequada e fortalecer a gestão de resíduos”, afirma Camargo.
Desafios e oportunidades
No Brasil, ainda há barreiras como custos logísticos elevados, baixa infraestrutura de coleta seletiva e falta de padronização regulatória.
“Isso gera insegurança jurídica e dificulta a implementação efetiva da logística reversa em diversos setores”, alerta o especialista.
Apesar disso, empresas que conseguem superar esses desafios ganham vantagem competitiva: com a economia circular, reduzem riscos, melhoram indicadores ESG e se posicionam como parceiras estratégicas de seus clientes.
Exemplos de aplicação por segmento
Cada setor demanda soluções específicas, e os operadores logísticos adaptam seus serviços conforme a necessidade:
- Alimentos: recolhimento de garrafas retornáveis e óleo usado.
- Cosméticos: programas de devolução de frascos e sistemas de refil.
- Eletrônicos: coleta de aparelhos, remanufatura e reciclagem.
- Construção civil: reaproveitamento de resíduos de obra, transformando entulho em novos insumos.
Com planejamento, tecnologia e integração logística, a logística reversa deixa de ser apenas uma obrigação e se torna uma oportunidade de negócio, consolidando-se como um pilar essencial da economia circular e da competitividade empresarial.