O impacto das inovações no rastreamento de cargas na cadeia de distribuição redefine a logística contemporânea, transformando a gestão de incertezas em vantagem competitiva.

O mercado abandonou a era do monitoramento passivo para adotar a inteligência preditiva como o sistema nervoso central da operação. Não se trata mais apenas de visualizar o trajeto, mas de utilizar dados para blindar o fluxo logístico contra imprevistos. 

A prova desse valor está nos números: segundo o relatório Supply Chain 4.0 in Consumer Goods da McKinsey, a digitalização agressiva pode reduzir os custos operacionais em até 30% e diminuir as perdas de vendas em até 75%.

A evolução tecnológica no rastreamento de cargas

Historicamente, o monitoramento logístico era reativo e dependente de confirmações manuais, mas esse cenário mudou drasticamente nas últimas décadas. A democratização do acesso a dispositivos móveis e redes de dados permitiu que transportadoras de todos os portes ingressassem na era digital.

Gustavo Loch, professor da Universidade Federal do Paraná (UFPR), contextualiza essa transformação: “Desde o início do rastreamento de veículos no Brasil, na década de 1990, tivemos evoluções tecnológicas que permitiram o crescimento de sua utilização, seja por melhor qualidade ou por ter se tornado mais barato. A essência é que o custo-benefício melhorou ao longo dos últimos anos”.

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Principais inovações no rastreamento de cargas

Para entender o atual cenário, é preciso olhar para além do GPS tradicional. Estamos falando de um ecossistema de tecnologias habilitadoras que, quando integradas, fornecem uma visão holística da operação:

IoT e Sensores Inteligentes

A Internet das Coisas (IoT) permitiu a “fala” dos objetos. Um exemplo claro é a otimização da rastreabilidade de produtos perecíveis na logística com tecnologia RFID, que monitora não apenas a localização, mas condições críticas como temperatura e umidade, evitando perdas de mercadorias sensíveis.

Além disso, a integração de dados de telemetria e rastreamento para a gestão eficiente da frota na cadeia de suprimentos permite acompanhar o desempenho do veículo e o comportamento do motorista. Isso gera insumos vitais para manutenção preventiva e economia de combustível.

Conectividade 5G e redes móveis

A chegada do 5G é fundamental para o tráfego massivo de dados exigido pela logística 4.0. A baixa latência dessa tecnologia garante que as informações cheguem aos gestores em milissegundos, permitindo tomadas de decisão praticamente instantâneas em situações críticas.

Blockchain e segurança de dados

Em um mercado globalizado, a confiança é a moeda mais valiosa. O impacto do uso de Blockchain no aumento da transparência e segurança no rastreamento de cargas internacionais é imenso, pois cria um registro imutável de cada etapa da custódia, eliminando fraudes e simplificando processos burocráticos.

Inteligência Artificial e Machine Learning

A Inteligência Artificial (IA) leva o rastreamento para o nível preditivo. Algoritmos de Machine Learning analisam históricos de tráfego e clima para antecipar atrasos antes mesmo que o caminhão saia do pátio, permitindo o replanejamento proativo de rotas.

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Diferença estratégica entre rastreamento e monitoramento

É comum tratar estes termos como sinônimos, mas para uma estratégia robusta, a distinção é vital. Enquanto um foca na recuperação e localização pontual, o outro foca na gestão contínua do processo.

Gustavo Loch esclarece essa confusão comum: “No rastreamento, o objetivo é procurar rastros para encontrar algo que não é visto, como um veículo roubado. Já o monitoramento é o controle para acompanhar o que acontece, por exemplo, saber o local atual de uma carga”.

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Impacto das inovações no rastreamento de cargas na cadeia de distribuição

A aplicação correta dessas tecnologias gera um ROI (Retorno sobre Investimento) tangível e rápido. A visibilidade deixa de ser um custo para se tornar uma ferramenta de alavancagem de negócios e proteção de margem.

Visibilidade “End-to-End” e experiência do cliente

No e-commerce, a ansiedade do consumidor dita as regras. “Existem desejos ilimitados de monitoramento, especialmente nas compras realizadas no e-commerce. O cliente está interessado em saber quando o item chegará e poder acompanhar o status em tempo real gera satisfação”, explica Loch.

Redução de custos e eficiência operacional

Os benefícios do rastreamento em tempo real para a redução de custos operacionais na distribuição de cargas são diretos. Com maior previsibilidade, as empresas podem operar com estoques menores (Just-in-Time) e agir rapidamente na gestão de exceções, mitigando prejuízos com atrasos ou roubos.

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Como a cultura data-driven irá revolucionar a logística de rastreamento de cargas?

O futuro pertence à logística preditiva, onde os dados orientam cada movimento. A integração com sistemas de gestão (TMS, WMS e ERP) transforma números brutos em inteligência competitiva.

O professor Loch complementa essa visão: “Estamos em um momento em que o armazenamento em nuvem, o poder de processamento e os métodos matemáticos e estatísticos existentes permitem que muitas análises automatizadas sejam possíveis, identificando padrões suspeitos e alertando para os riscos antes que o sinistro aconteça”.

Desafios na implementação de inovações no rastreamento de cargas

Apesar dos benefícios, a jornada de digitalização exige planejamento. Existem desafios na implementação de sistemas de rastreamento e monitoramento por Inteligência Artificial em transportadoras brasileiras, que vão desde o custo inicial até a capacitação técnica das equipes.

Além disso, a cibersegurança torna-se uma preocupação central. Proteger os dados de rastreamento contra ataques e garantir a interoperabilidade entre os sistemas de diferentes parceiros na cadeia são barreiras que precisam ser superadas com parceiros tecnológicos confiáveis.

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O futuro da cadeia de distribuição está na inovação no rastreamento de cargas

Para se destacar em um mercado saturado, é preciso cumprir a promessa feita ao cliente. Como conclui Gustavo Loch, “quem vendeu sabe dessa vontade do consumidor e, para isso, precisa ter tecnologias que permitam saber a localização de cada carga e que possam gerar ideias de ações que podem ser tomadas para que a carga chegue no tempo prometido”.

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