Quem atua no Comex já domina a pauta de produtos brasileiros. O verdadeiro campo de batalha em 2026 não é mais a cartela de produtos negociados, mas a eficiência operacional para cruzar fronteiras em um cenário global de margens comprimidas.

A prova de que o motor do comércio exterior continua aquecido está nos números: o Brasil encerrou 2025 com um recorde histórico na corrente de comércio, totalizando US$ 629,1 bilhões (somando importações e exportações), segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).

No entanto, movimentar esse volume colossal exige mais do que capacidade de produção. Guerras regionais, o encarecimento de rotas estratégicas e novas barreiras digitais transformaram a logística internacional em uma disciplina de gestão de risco e inteligência de dados.

Hoje, otimizar a logística de importação e exportação significa blindar a cadeia de suprimentos contra a instabilidade e garantir previsibilidade financeira.

Veja como o cenário mudou e quais estratégias ajudam empresas brasileiras a proteger margens e evitar rupturas logísticas.

O novo cenário do Comércio Exterior em 2026

A logística internacional deixou de ser apenas transporte. Em 2026, ela envolve dados, fluxo financeiro, compliance e tomada de decisão antecipada. O gestor não reage mais ao problema; ele tenta evitá-lo.

Os custos logísticos no Brasil representaram cerca de 18,4% do PIB em 2023, um percentual significativamente maior que a média de países desenvolvidos (geralmente abaixo de 10%), refletindo os desafios estruturais do setor.

Esse cenário pressiona estoques, capital de giro e contratos de frete.

Geopolítica do frete e o eixo China–Brasil

A China segue como principal parceiro comercial do Brasil, mas essa dependência traz riscos logísticos relevantes. Rotas longas tornam o importador brasileiro mais exposto a blank sailing, cancelamentos de escalas e atrasos em cascata.

Quando um navio deixa de escalar um porto asiático, o impacto não é apenas no prazo. Há efeito direto no estoque, na produção e nos custos de armazenagem no Brasil. Para muitas indústrias, isso significa parada de linha ou compras emergenciais mais caras.

A geopolítica do frete, portanto, deixou de ser um tema distante e passou a afetar diretamente o caixa das empresas.

Volatilidade, sobretaxas e o custo do mercado spot

Outro ponto crítico é a volatilidade das tarifas marítimas. O mercado spot oscila fortemente em períodos de instabilidade, com aplicação frequente de GRI (General Rate Increase) e variações na taxa de Bunker, ligada ao combustível.

Em cenários assim, empresas que dependem exclusivamente do spot ficam expostas a aumentos repentinos de frete. 

Uma estratégia cada vez mais adotada é a negociação de contratos de longo prazo com armadores, reduzindo a exposição às flutuações do mercado.

A imagem é uma ilustração sobre globalização, comércio e logística internacional, com o Brasil em destaque.

Estratégias logísticas para as principais exportações brasileiras

O Brasil continua sendo um grande exportador de commodities, mas o desafio está no escoamento eficiente desses volumes em um ambiente portuário pressionado.

Otimização do escoamento de safra

Soja, milho e minério de ferro seguem liderando a pauta de exportações brasileiras. Em períodos de pico, portos como Santos e Paranaguá enfrentam filas, atrasos e custos elevados de demurrage.

Como resposta, cresce a importância do Arco Norte, com portos mais próximos das áreas produtoras, além do uso de hidrovias e corredores logísticos alternativos. Essa estratégia reduz custos de frete interno e melhora a previsibilidade das exportações.

Multimodalidade e cabotagem como resposta ao “Custo Brasil”

A dependência excessiva do modal rodoviário segue sendo um gargalo. Em 2026, a integração entre ferrovias, portos e cabotagem ganha espaço como alternativa mais estável e econômica.

A cabotagem, em especial, surge como solução para reduzir custos logísticos em longas distâncias dentro do território nacional, além de aliviar a pressão sobre estradas e caminhões.

Como fazer a gestão de importação para produtos de alto valor

Se nas exportações o foco está em volume, nas importações de alto valor agregado o jogo é outro. Aqui, tempo é dinheiro parado.

Produtos como eletrônicos, autopeças, químicos e farmacêuticos exigem precisão logística. Um contêiner atrasado representa capital de giro imobilizado e risco direto à operação.

Peak Season, blank sailing e a importação de eletrônicos

Durante a peak season, especialmente nas rotas Ásia–Brasil, a disputa por espaço nos navios se intensifica. Rolagens de carga se tornam comuns e impactam diretamente o planejamento industrial.

Para mitigar riscos, o planejamento antecipado e a diversificação de rotas de navegação entre China e Brasil tornam-se estratégias essenciais para evitar rupturas na cadeia produtiva.

Nearshoring e friendshoring na cadeia de suprimentos

Como resposta à guerra comercial e às tarifas de importação, empresas globais passaram a redesenhar suas cadeias de suprimentos:

  • Nearshoring: aproxima a produção dos mercados consumidores
  • Friendshoring: prioriza fornecedores em países politicamente alinhados

Essas estratégias aumentam a resiliência da supply chain e reduzem a exposição a choques externos e conflitos geopolíticos.

Visão estratégica: mapa de riscos por parceiro comercial

Em um cenário global cada vez mais instável, entender os riscos associados a cada parceiro comercial é essencial para tomar decisões logísticas mais seguras. 

Mapear fatores geopolíticos, operacionais e regulatórios ajuda empresas a antecipar impactos, ajustar rotas e proteger margens no comércio exterior.

Parceiro Comercial Relação Principal Alerta Logístico & Geopolítico (Cenário 2026)
China Eletrônicos / Soja Rotas e Tecnologia: Alta exposição a crises em canais estratégicos (Suez e Panamá) e blank sailings; pressão global de decoupling (separação de cadeias), com potencial impacto no fornecimento de semicondutores.
Estados Unidos Máquinas / Combustíveis Protecionismo e Greves: Risco de “tarifaço” com barreiras tarifárias agressivas; instabilidade sindical nos portos da Costa Leste (ILA) e exigências cada vez mais rígidas de friendshoring.
Argentina Automotivo Câmbio e Fronteira: Volatilidade cambial severa, dificultando pagamentos e contratos; barreiras não-tarifárias (licenças de importação travadas) e lentidão burocrática nos passos de fronteira.
União Europeia Farmacêuticos / Agro Barreiras Verdes: Implementação plena da Lei Antidesmatamento (EUDR) e da taxação de carbono (CBAM); exigência de rastreabilidade completa da origem do produto ao longo da cadeia logística.

O pilar de ouro: tecnologia e compliance na logística internacional

Em 2026, eficiência logística depende diretamente de dados confiáveis e compliance aduaneiro. É aqui que muitas empresas ganham ou perdem competitividade.

DUIMP e certificação OEA

A transição para a DUIMP, dentro do Portal Único de Comércio Exterior, muda o foco do processo: a qualidade da informação antes do embarque passa a ser decisiva.

Já a certificação OEA (Operador Econômico Autorizado) funciona como um verdadeiro “VIP pass” logístico, oferecendo mais previsibilidade, menos fiscalizações e maior fluidez nos processos aduaneiros.

Visibilidade em tempo real e torres de controle

A integração de sistemas com armadores e operadores logísticos permite acompanhar a carga em tempo real

Essa visibilidade ajuda o gestor a reagir rápido, renegociar prazos e reduzir impactos financeiros em caso de atrasos.

Como reduzir custos e riscos na operação internacional

Reduzir custo logístico vai muito além de negociar o valor do frete. Instrumentos como o Drawback permitem suspender ou eliminar tributos na importação de insumos destinados à exportação, melhorando a competitividade e liberando caixa. 

Já o Entreposto Aduaneiro oferece flexibilidade ao postergar o pagamento de impostos até o momento mais adequado para a empresa, o que ajuda a alinhar os desembolsos ao ritmo de vendas.

O hedge cambial entra como uma camada de proteção essencial em operações expostas ao dólar, reduzindo o impacto da volatilidade sobre margens e previsibilidade financeira. 

Em paralelo, a gestão antecipada de contratos logísticos e comerciais permite travar condições, evitar surpresas e ganhar poder de negociação em momentos de instabilidade.

Em um ambiente marcado por oscilações cambiais, mudanças regulatórias e incertezas globais, planejamento financeiro e logístico deixam de ser áreas separadas. Eles passam a atuar de forma integrada para sustentar o fluxo de caixa, reduzir riscos e garantir continuidade operacional.

A imagem é uma ilustração de fluxos de exportação e importação do Brasil para diferentes partes do mundo.

Logística de importações como estratégia diferenciador

A logística internacional deixou de ser um detalhe operacional. Em 2026, ela é parte central da estratégia de negócios. Blindar operações contra volatilidade, rupturas e custos inesperados exige planejamento, dados e parceiros confiáveis.

Para entender mais sobre as estratégias de logística internacional para importações e exportações brasileiras e outros temas ligados aos modais logísticos, continue acompanhando o Modal Connection, o portal de conteúdo das feiras Intermodal e NT Expo.

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