Quando a Intermodal South America realizou sua primeira edição, em 1994, o Brasil vivia um momento de profunda reconfiguração econômica. O Plano Real ainda estava sendo gestado, a abertura comercial dava seus primeiros passos e o setor logístico do país operava com rodovias precárias, portos pouco competitivos e uma integração modal praticamente inexistente.
Três décadas depois, a 30ª edição da Intermodal South America, que acontece de 14 a 16 de abril de 2026, no Distrito Anhembi, em São Paulo, reúne profissionais de todo mundo.
Realizada anualmente, a feira é o maior e mais completo evento para os setores de logística, intralogística, tecnologia, transporte de cargas e comércio exterior da América Latina, cobrindo todos os modais de transporte e oferecendo soluções para toda a cadeia logística, de ponta a ponta.
Os anos 1990: nasce a Intermodal, nasce a agenda
O Brasil dos anos 1990 era um país em construção, tanto econômica quanto institucional. A abertura comercial iniciada e consolidada com o Real expôs as empresas nacionais a uma concorrência internacional, para a qual a infraestrutura logística do país simplesmente não estava preparada.
Portos congestionados, um terço da malha ferroviária desativada, além de uma malha rodoviária que concentrava cerca de 70% do transporte de cargas da época eram os sintomas de décadas de subinvestimento.
Criada em um contexto que exigia transformação, a Intermodal South America consolidou-se ao longo de mais de três décadas como o principal ponto de encontro para profissionais do setor. Nesse período, acompanhou as mudanças do país e do mercado global, atravessou diferentes cenários econômicos e políticos e apontou as principais tendências e caminhos para o crescimento da logística multimodal.
A proposta da feira sempre foi a integração dos modais: rodoviário, ferroviário, aquaviário e aéreo. Em discussões únicas, reunindo empresas, especialistas e gestores públicos, a feira alcançou uma ambição que o próprio mercado ainda não sabia bem como realizar. Mas era exatamente isso que o país precisava discutir.

Década de 2000: o Brasil descobre que exportar exige logística
O ciclo de commodities da década de 2000 transformou o agronegócio brasileiro em protagonista global, o que revelou limitações na infraestrutura do país. O Brasil se tornou um dos maiores exportadores mundiais de soja, carne, açúcar e minério de ferro, mas pagava um preço alto pelo chamado “custo Brasil”: o trajeto entre a fazenda e o porto era caro, lento e cheio de gargalos.
Nesse período, a Intermodal consolidou sua relevância estratégica. Os debates sobre multimodalidade saíram do campo teórico e ganharam urgência prática.
A modernização portuária, iniciada com a Lei dos Portos de 1993, começou a produzir resultados visíveis. Terminais privados foram autorizados, e os portos de Santos, Paranaguá e Itaguaí iniciaram um processo de transformação que se estenderia por décadas.
O setor ferroviário também deu sinais de vida. As concessões iniciadas nos anos 1990 começaram a gerar investimentos, e operadoras ampliaram suas operações, conectando regiões produtoras aos portos de exportação. Era o começo de uma reconfiguração que segue em transformação até os dias atuais.

Década de 2010: profissionalização e integração dos gigantes globais
Os anos 2010 marcaram a entrada definitiva de grandes operadores logísticos globais no mercado brasileiro. Grandes players internacionais ampliaram presença no país, trazendo tecnologia, processos e capital. Do outro lado, empresas nacionais cresceram por meio de fusões e aquisições, buscando escala para competir.
A multimodalidade deixou de ser apenas um conceito de feira e passou a ser uma necessidade operacional. O crescimento do e-commerce também passou a pressionar as cadeias de distribuição por mais velocidade e capilaridade. A intralogística ganhou espaço nas discussões, com automação de armazéns e sistemas de gestão de estoque tornando-se diferenciais competitivos.
A Intermodal acompanhou e muitas vezes antecipou os principais ciclos do setor logístico no país, incluindo modernização, digitalização de cadeias, expansão de mercados e consolidação da agenda ESG nacional.

Década de 2020: mudanças globais com a pandemia
A pandemia de Covid-19 foi uma crise sem precedentes e impactou diretamente o setor logístico que, de um dia para o outro, precisou se reinventar. Rotas foram redesenhadas, armazéns foram automatizados em tempo recorde, e a digitalização, que já era tendência, tornou-se sobrevivência.
O resultado no setor foi uma aceleração nunca vista antes. O e-commerce no Brasil cresceu 10,5% em 2024, atingindo faturamento de R$ 204,3 bilhões, aquecendo de forma intensa o segmento de condomínios logísticos, com a oferta de galpões de alto padrão mais que dobrando nos últimos cinco anos.
O peso do setor na economia brasileira também segue expressivo. Os custos logísticos no Brasil atingiram R$ 1,96 trilhão em 2025, valor equivalente a 15,5% do Produto Interno Bruto nacional, segundo o estudo anual do Instituto de Logística e Supply Chain (ILOS). As projeções do ILOS indicam que os gastos com transporte no Brasil superaram os R$ 940 bilhões em 2024, com alta de quase 7% em relação ao ano anterior.
O tamanho do mercado evidencia potencial e desafios. nos últimos dez anos, o Brasil transportou cerca de 25% a mais em volume de carga praticamente com a mesma base logística, o que explica a pressão crescente sobre custos e a urgência por investimentos em infraestrutura.
Para o futuro próximo, as perspectivas são de expansão contínua. Segundo dados da Cobli, o mercado brasileiro de frete e logística deve passar de US$ 104,79 bilhões em 2024 para US$ 129,34 bilhões até 2029, impulsionado pelo crescimento do e-commerce e por inovações tecnológicas, uma alta projetada de 23% em cinco anos.

A Intermodal 2026: um marco comemorativo com olhos no futuro
A edição de 2026 promete ser histórica, contando com mais de 40 novas marcas nacionais e internacionais, atrações imperdíveis e um novo formato de congresso. Ampliando a diversidade setorial do evento, a Intermodal reforça seu propósito em conectar negócios, incentivar parcerias estratégicas e antecipar soluções inovadoras que movimentam a cadeia global de suprimentos.
A programação do 4º Interlog Summit, o congresso da feira, reflete os debates mais urgentes do setor. Os painéis abordarão pilares estratégicos e serão guiados pelo tema “Conexões que movem o Brasil: logística e infraestrutura rumo ao protagonismo global”.
A agenda confirmada inclui temas como a superação de gargalos históricos em infraestrutura, a integração de corredores logísticos, o avanço da cabotagem e da rodocabotagem, a transformação dos portos em hubs globais mais digitais e sustentáveis, e os desafios da intralogística diante da volatilidade da demanda no e-commerce.
Entre os palestrantes confirmados estão nomes como a diretora de Infraestrutura, Transição Energética e Mudança Climática do BNDES, o diretor-presidente da Autoridade Portuária de Santos e a diretora de Operações do Mercado Livre, uma combinação que ilustra bem a amplitude do ecossistema logístico que a feira reúne.
Trinta edições, um setor em permanente movimento
A história da Intermodal South America é inseparável da história da logística brasileira. Cada edição do evento registrou um capítulo dessa transformação.
São trinta edições que vão muito além de uma data comemorativa. São trinta edições de conversas que se tornaram políticas públicas, investimentos e soluções.
Quer acompanhar as principais discussões que vão definir os próximos anos da logística? Clique aqui para realizar seu credenciamento na Intermodal South America 2026 e acompanhe nossa cobertura especial no Modal Connection — de 14 a 16 de abril, no Distrito Anhembi, em São Paulo.
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