O transporte aéreo de cargas vive um momento de transformação global e o Brasil está no centro dessa discussão. Embora reúna condições estratégicas relevantes, ainda enfrenta desafios estruturais, regulatórios e logísticos que limitam seu potencial.
Atualmente, o Aeroporto de Guarulhos (GRU) concentra entre 40% e 45% da carga aérea internacional movimentada no país, de acordo com dados da ANAC (Agência Nacional de Aviação Civil). Essa centralização, embora favorecida pela ampla oferta de voos internacionais, maior frequência e presença de operadores logísticos, também expõe um dos principais gargalos do setor: a infraestrutura em terra.
Para o especialista em comércio exterior, com projetos internacionais (FMI, ONU, BID), Thiago Barbosa, o problema não está no transporte aéreo em si, mas nas limitações estruturais que impactam o fluxo de cargas no solo. “Essa concentração no GRU se explica pela maior oferta de voos internacionais, frequência e presença de operadores logísticos, mas gera efeitos colaterais relevantes, como saturação de armazéns, aumento do tempo de armazenagem e pressão sobre custos”, destaca.
O consultor também ressalta que, assim como o GRU, a maioria dos aeroportos brasileiros ainda carece de infraestrutura adequada para absorver parte desse fluxo, o que compromete uma distribuição mais equilibrada e eficiente das cargas em nível nacional.
Para explorar esse e outros desafios sobre o modal aéreo, a 30ª edição da Intermodal South America traz uma novidade em sua programação. Pela primeira vez vai apresentar um painel específico focado em aviação. O “Hub Aéreo Brasil: estratégias para liderar o comércio de alto valor na América Latina” vai debater estratégias práticas para que o Brasil supere as principais dificuldades do transporte aéreo atual e se posicione como um centro logístico de referência na região.
O evento, que será realizado de 14 a 16 de abril no Distrito Anhembi, vai receber especialistas para falar sobre soluções, cases e estratégias acionáveis para transformar o país em um hub logístico aéreo competitivo.
São eles: Tiago Barbosa, consultor em facilitação do comércio BID e FMI; Paulo Souza, diretor de operações de cargas do GRU Airport Cargo; Marcelo Vitorino, country manager da TAP AIR CARGO; Luíza de Amorim Motta Deusdará, diretora de investimentos da Secretaria Nacional de Aviação Civil (SAC) e André Luiz Martins, superintendente adjunto da 8ª Região Fiscal da Receita Federal.
Com a expertise de mercado, eles dão dicas de como superar a saturação aeroportuária, otimizar a burocracia aduaneira (DUIMP, CCT, LPCO) e preparar a infraestrutura para o futuro digital do comércio exterior.
Tecnologia x competitividade
A competitividade global é outro tema de grande relevância que será abordado no painel, especialmente por estar cada vez mais vinculada ao uso intensivo de tecnologia. Segundo a IATA (Associação Internacional de Transporte Aéreo), a digitalização de processos é um dos principais fatores para redução de custos e no aumento da eficiência no transporte aéreo de cargas, tornando-se um fator determinante para a competitividade internacional.
De acordo com Barbosa, no Brasil, apesar dos avanços alcançados, ainda persiste uma significativa dependência de processos manuais e de sistemas que não estão totalmente integrados. Essa realidade resulta em tempos de processamento mais longos, menor previsibilidade e custos operacionais mais elevados.
No entanto, o especialista avalia que, mesmo diante desses desafios, o Brasil possui um grande potencial para se consolidar como um hub aéreo de cargas na América do Sul. Para que esse avanço se concretize, será necessário combinar fatores como eficiência operacional, integração logística, digitalização e simplificação regulatória. Esses aspectos, que vão além das questões de infraestrutura, serão amplamente debatidos pelos durante o evento.
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Interlog Summit

O Interlog Summit, realizado dentro da Intermodal 2026, é um evento de destaque no setor de logística e transporte. Ele combina dois importantes encontros em um único espaço: o Congresso Intermodal e a Conferência Nacional de Logística (CNL), organizada pela Abralog (Associação Brasileira de Logística).
Juntos, esses eventos oferecem uma programação rica e diversificada, estruturada em cinco trilhas de conteúdo que abordam temas essenciais para o mercado logístico e de comércio exterior:
- Mercado e Comércio Exterior: Focado em tendências globais, oportunidades de negócios e desafios no comércio internacional.
- Intralogística: Aborda soluções para otimização de processos internos, como armazenagem e movimentação de materiais.
- Inovação e Tecnologia: Explora as últimas inovações tecnológicas que estão transformando o setor logístico.
- Transporte Multimodal e Infraestrutura: Discute a integração de diferentes modais de transporte e os avanços em infraestrutura.
- Estratégia, Gestão e Excelência Operacional: Focado em boas práticas de gestão, eficiência operacional e estratégias para competitividade.
O Interlog Summit é, portanto, uma oportunidade única para profissionais e empresas se atualizarem, trocarem experiências e explorarem soluções inovadoras para os desafios do setor.
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