Quando a pauta da sustentabilidade chegou ao setor logístico, muitos a trataram como uma questão de comunicação, algo para relatórios anuais e selos de certificação. Esse tempo acabou. Dados da Empresa de Pesquisa Energética (EPE) mostram que o setor de transportes é responsável por 47% das emissões de gases de efeito estufa do Brasil, um número que coloca a logística no centro absoluto da agenda climática nacional e que torna a descarbonização não apenas uma obrigação ambiental, mas uma questão de competitividade econômica de longo prazo.
Intermodalidade: o caminho para a logística sustentável
O peso do modal rodoviário explica o desafio. O Inventário CNT 2025 identificou que, no ano-base 2023, o setor de transporte brasileiro emitiu 190 MtCO₂e, com clara predominância do modal rodoviário, responsável por 92,9% das emissões totais do setor.
Essa concentração reflete décadas de subinvestimento em modais mais sustentáveis, como ferrovias e hidrovias, e uma dependência histórica de combustíveis fósseis. Além disso, na atuação de modais no país, o rodoviário lidera o transporte de cargas, com aproximadamente 60% de todo volume.
Mudar esse quadro exige tempo, capital e vontade política, mas a direção já está traçada.
A integração modal como solução estratégica
A intermodalidade surge como uma resposta essencial para diversificar a matriz de transporte e reduzir emissões. O Brasil possui um enorme potencial para ampliar o uso de ferrovias e hidrovias, que são significativamente mais eficientes em termos de carbono.
A integração entre modais permite otimizar rotas, consolidar cargas e reduzir o consumo de combustíveis fósseis, criando uma logística mais equilibrada e sustentável.
Investimentos necessários para a transição
O custo de transformar a matriz logística é expressivo. Um estudo do Pacto Global da ONU estima que o Brasil precisará de R$ 3,42 trilhões em investimentos até 2050 para zerar as emissões no transporte rodoviário de cargas.
No entanto, a intermodalidade pode reduzir esses custos ao aproveitar infraestruturas existentes e priorizar modais menos intensivos em carbono.
Biocombustíveis e eletrificação: aliados da intermodalidade
Enquanto a eletrificação enfrenta barreiras de infraestrutura, os biocombustíveis oferecem uma solução imediata para reduzir emissões sem exigir a renovação completa da frota. Biodiesel, etanol e biometano são alternativas viáveis para complementar a transição energética, especialmente em modais como rodoviário e ferroviário. Além disso, a eletrificação de frotas pode ser integrada a sistemas intermodais, maximizando sua eficiência e reduzindo custos operacionais.
Eficiência operacional e tecnologia
A intermodalidade também se beneficia de tecnologias avançadas, como sistemas de roteirização inteligente, que podem diminuir em até 20% o consumo de combustível por viagem.
A consolidação de cargas e o uso de frete fracionado são medidas que combinam ganhos ambientais e financeiros, tornando a logística mais competitiva e sustentável.
A Intermodal 2026 e o futuro da logística verde
A sustentabilidade estará entre os temas centrais do 4º Interlog Summit durante a Intermodal South America 2026. Infraestrutura, alternativas de atuação, impactos do mercado e ESG em foco serão temas durante os debates. A intermodalidade será destaque como solução estratégica para transformar a logística brasileira.
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