O ESG na logística deixou de ser apenas uma tendência e passou a representar um novo padrão de competitividade e credibilidade no setor.

Cada vez mais, os grandes embarcadores estão priorizando parcerias com operadores que adotam contratos sustentáveis, incorporando cláusulas verdes, certificações ambientais e políticas consistentes de responsabilidade social e governança corporativa.

A sustentabilidade, antes vista como um diferencial, agora é critério de qualificação e um fator decisivo para permanecer ativo nas cadeias logísticas mais exigentes e modernas.

Essa mudança reflete um movimento global em direção à sustentabilidade na cadeia logística, impulsionado por consumidores mais conscientes, legislações ambientais rigorosas e o avanço do compliance ambiental como parte central da gestão empresarial.

Ao mesmo tempo, cresce a importância da auditoria ESG como ferramenta de validação e transparência, comprovando que as empresas realmente praticam uma logística responsável e alinhada a metas globais de descarbonização e inclusão social.

Neste artigo, Daiéli Duarte dos Anjos, tutora do curso técnico em Logística do Senac EAD, explica como os critérios ESG estão sendo incorporados aos contratos logísticos, quais são as novas exigências de sustentabilidade e como as auditorias e certificações ESG estão moldando o futuro das operações no Brasil.

A incorporação de critérios ESG nos contratos com operadores logísticos

Daiéli dos Anjos explica que os grandes embarcadores têm incorporado os princípios ESG aos contratos logísticos como parte de uma estratégia de negócio mais ampla e sustentável.

“A escolha de parceiros de negócio deixou de se basear apenas em custos e eficiência operacional, passando a considerar também o impacto positivo nas dimensões ambiental, social e de governança”, ressalta.

Segundo ela, atualmente, as cláusulas contratuais incluem exigências específicas de sustentabilidade, como comprovação da origem limpa da frota, metas de redução de emissões e políticas de diversidade, ética e transparência.

“Percebe-se a inserção de cláusulas mandatórias e métricas de performance (KPIs) de sustentabilidade diretamente nos Acordos de Nível de Serviço (SLAs) e nos processos de licitação (RFPs)”, afirma.

Ela acrescenta que o ESG se tornou um critério essencial de qualificação: operadores que não demonstram compromisso com esses valores estão perdendo espaço nas cadeias logísticas mais inovadoras e competitivas.

As principais exigências de sustentabilidade nos novos contratos logísticos

Conforme a especialista, as novas exigências de sustentabilidade concentram-se em 3 pilares principais: redução de emissões, eficiência energética e responsabilidade social.

“Entre as demandas mais recorrentes estão a medição das emissões de gases de efeito estufa (GEE), o planejamento para neutralização de carbono e a adoção de combustíveis alternativos”, cita.

Também ganha destaque, de acordo com Daiéli dos Anjos, o uso de tecnologias que otimizam rotas, reduzem desperdícios e melhoram o desempenho ambiental das operações.

“No aspecto social, os embarcadores têm valorizado empresas que oferecem condições de trabalho seguras e justas, promovem a inclusão e investem em capacitação profissional. O objetivo é assegurar que toda a cadeia logística gere valor sustentável e contribua para um futuro mais equilibrado e responsável”, afirma.

Os desafios do ESG na logística brasileira.jpg

O impacto da adoção de práticas ESG na competitividade entre operadores logísticos

Daiéli dos Anjos conta que a adoção de práticas ESG está transformando a dinâmica competitiva no setor logístico.

“Empresas que investem em sustentabilidade não apenas atendem às exigências dos embarcadores, mas também conquistam vantagens operacionais, reduzem custos e fortalecem a sua reputação no mercado”, observa.

Ela ressalta que operadores que apostam em frotas menos poluentes, gestão eficiente de energia, rastreabilidade de dados e uma cultura corporativa ética têm se destacado em licitações e parcerias estratégicas.

“Nesse novo cenário, sustentabilidade e performance caminham lado a lado, e estar alinhado ao ESG deixou de ser um diferencial para se tornar um requisito indispensável para o crescimento e a permanência no mercado”, acrescenta.

A influência das auditorias e certificações ESG na reputação das empresas da cadeia logística

Outra questão importante são as auditorias e certificações ESG. Elas exercem um papel fundamental na construção da credibilidade e reputação das empresas logísticas.

“Elas comprovam, de forma independente, que a organização adota práticas sustentáveis e cumpre padrões internacionais de gestão ambiental, social e de governança”, ressalta.

Daiéli comenta que certificações como a ISO 14001, a ISO 26000 e avaliações conduzidas por plataformas reconhecidas, como EcoVadis e Sedex, reforçam a imagem de responsabilidade e transparência.

“Além de aumentar a confiança dos embarcadores, essas certificações ajudam as empresas a identificarem oportunidades de melhoria contínua, tornando suas operações mais eficientes e alinhadas às metas globais de sustentabilidade”.

“Em um mercado cada vez mais exigente, possuir uma certificação ESG representa mais do que um diferencial competitivo: é a demonstração concreta de compromisso com um futuro sustentável e com a excelência operacional”, finaliza.

O futuro da logística é sustentável e os operadores que se anteciparem a essa realidade estarão um passo à frente na construção de uma economia mais responsável, competitiva e comprometida com o planeta.

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