Em 2026, o transporte marítimo movido a metanol verde deixou de ser um projeto piloto. Grandes armadores globais já operam embarcações dual-fuel em rotas comerciais regulares, enquanto novos navios seguem sendo entregues ao mercado. A discussão agora não é mais “se”, mas “onde” e “a que custo”.

Para o gestor logístico e para o dono da carga, a preocupação é prática. Ninguém quer assumir sozinho o papel de salvar o planeta. A pergunta real é se o frete vai ficar mais caro, se a rota é confiável e se o navio realmente chega ao destino dentro do prazo.

A seguir, confira a viabilidade e rotas comerciais para navios a metanol verde, traduzindo normas ambientais, custos e infraestrutura em impacto direto para quem contrata transporte marítimo.

A viabilidade econômica do combustível verde marítimo

A adoção do metanol verde para transporte marítimo sempre esbarrou em uma questão central: custo. Historicamente, o combustível sustentável foi mais caro do que o bunker tradicional. Mas esse cenário vem mudando rapidamente.

O “custo verde” versus penalidades regulatórias

O metanol verde ainda tem um preço-base mais elevado quando comparado ao VLSFO, o combustível marítimo de baixo teor de enxofre. No entanto, o combustível fóssil passou a carregar um peso regulatório cada vez maior, especialmente na Europa.

Com a aplicação integral do EU ETS Maritime em 2026, os armadores passaram a pagar 100% das taxas de carbono sobre suas emissões em rotas que envolvem portos europeus. Isso encareceu artificialmente o VLSFO, enquanto o metanol verde permanece isento dessas penalidades.

Além disso, a regulação FuelEU Maritime introduziu metas obrigatórias de redução de intensidade de carbono. Quem não cumpre, paga multa. Quem utiliza combustível sustentável, gera créditos que podem ser usados para compensar custos.

A nova matemática do bunker (cenário 2026)

Item de Custo Combustível Tradicional (VLSFO) Metanol Verde
Preço base da commodity Mais baixo Mais alto
Taxa de carbono (EU ETS) Penalidade máxima Isento
FuelEU Maritime Multas progressivas Geração de crédito
CAPEX Retrofit caro e desvalorização Investimento inicial elevado
Tendência 2027–2030 Encarecimento contínuo Queda com escala

O resultado prático é que o “gap” entre os dois combustíveis vem se fechando de forma consistente.

Impacto no valor do frete

Para quem contrata frete, o custo do combustível aparece diluído no valor do slot. O armador não vende bunker. Ele vende espaço no navio. 

Quando o custo adicional do metanol verde é distribuído por milhares de TEUs, o impacto por contêiner tende a ser marginal.

Em cargas de maior valor agregado, esse aumento representa uma fração pequena do custo total da operação. Para empresas com metas de Escopo 3, esse “prêmio verde” passa a funcionar como uma ferramenta concreta de compliance ambiental.

O que é o GHG Protocol?
O GHG Protocol é o padrão global mais utilizado para mensuração e gestão de gases de efeito estufa. Ele categoriza as emissões de uma empresa em três escopos:

Escopo 1: emissões diretas (ex: frota própria)
Escopo 2: emissões indiretas pelo consumo de energia elétrica
Escopo 3: emissões indiretas de toda a cadeia de valor.

Quando uma empresa contrata frete marítimo, as emissões daquela viagem pertencem ao Escopo 3 do contratante (o embarcador). Por isso, optar por armadores que usam Metanol Verde reduz diretamente a pegada de carbono reportada pelo cliente.

Saiba mais: Impactos geopolíticos nas rotas marítimas e operações portuárias

Quais são os principais corredores verdes no transporte marítimo?

Os chamados Corredores Verdes são rotas onde existe garantia de abastecimento de combustível sustentável nas duas pontas. Sem isso, a operação simplesmente não se sustenta.

Rota Ásia–Europa

Hoje, a rota Ásia–Europa é a mais madura quando falamos em bunkering de metanol verde para portos globais. Portos como Singapura e Roterdã já operam abastecimento regular, com infraestrutura dedicada e protocolos consolidados.

É nesse corredor que se concentram boa parte dos navios operados por armadores com frota dual-fuel de metanol, como Maersk e CMA CGM.

O Atlântico Sul e o papel do Brasil

No Atlântico Sul, o movimento ainda é mais recente, mas estratégico. As rotas Europa–Brasil ganham relevância principalmente para exportação de commodities com menor pegada de carbono.

O Brasil surge como elo importante não apenas como destino, mas como potencial fornecedor de combustível sustentável, dado seu acesso a biomassa e fontes renováveis.

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Desafios logísticos na infraestrutura de bunkering

A adoção do metanol verde não depende apenas do navio. Ela exige infraestrutura portuária compatível, logística de abastecimento e segurança operacional.

O Brasil está pronto?

Quando falamos em infraestrutura de abastecimento de metanol no Brasil, dois portos aparecem com destaque: Suape e Pecém. Ambos têm localização estratégica, acesso a energia renovável e proximidade com polos industriais.

O Porto de Suape, em especial, aparece em estudos como potencial hub para produção, exportação e abastecimento de metanol verde. Ainda assim, a infraestrutura de tancagem dedicada e a disponibilidade de barcaças para bunkering seguem como desafios práticos.

Segurança e disponibilidade global

Outro ponto sensível é a segurança do abastecimento. Com dezenas de navios dual-fuel já encomendados, a pergunta é direta: haverá metanol verde suficiente?

Hoje, a produção global ainda é limitada, e a expansão depende de investimentos em plantas de bio e e-metanol. Esse cenário exige planejamento cuidadoso por parte dos armadores e atenção redobrada dos embarcadores quanto às rotas contratadas.

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Como verificar a regulação do armador que utiliza metanol verde?

Nem todo metanol é igual. Para fins regulatórios e ambientais, a origem da molécula importa. Afinal, nem todo metanol é igual. Para fins regulatórios e ambientais, a origem da molécula importa, e é essa rastreabilidade que valida o combustível frente às novas normas marítimas.

IMO 2030 e a certificação de origem

As metas de redução de emissões IMO 2030 para shipping exigem que o combustível utilizado seja comprovadamente sustentável. Isso significa metanol de origem biológica ou sintética, com certificação reconhecida.

Para o dono da carga, essa rastreabilidade é essencial. Sem ela, não há como comprovar redução de emissões nem evitar riscos de greenwashing

Cada vez mais, contratos de frete passam a incluir cláusulas relacionadas à origem do combustível utilizado.

A imagem ilustra um navio cargueiro navegando no oceano, transportando contêineres verdes, associados a práticas de logística sustentável.

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Como preparar sua cadeia de suprimentos

A viabilidade e rotas comerciais para navios a metanol verde já não são um debate teórico. Elas dependem do equilíbrio entre custo do combustível, penalidades regulatórias e maturidade da infraestrutura.

Para quem contrata frete, o impacto tende a ser controlado e, em muitos casos, estratégico. O desafio está em escolher rotas confiáveis, armadores preparados e entender como essas decisões se refletem nos custos e nas metas ambientais da empresa.

Para entender mais sobre viabilidade e rotas comerciais para navios a metanol verde, além de outros assuntos envolvendo os setores de logística e modais, continue acompanhando o Modal Connection, o portal de conteúdo das feiras Intermodal e NT Expo.

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