A logística, historicamente vista como uma engrenagem essencial, mas muitas vezes analógica, está passando por uma revolução silenciosa. Tecnologias como IoT, inteligência artificial e blockchain vêm remodelando os processos, tornando-os mais ágeis, seguros e conectados. 

No varejo e na indústria, equipamentos de rastreamento, sensores inteligentes e plataformas de gestão estão deixando de ser luxo e se tornando ferramentas indispensáveis para operações competitivas.

Rony Neri, diretor executivo da Platform Science na América Latina, que acompanha de perto o avanço da transformação digital na logística brasileira, falou conosco sobre o tema. Continue acompanhando e saiba como o setor logístico está se transformando!

Logística 4.0: conectividade e eficiência em movimento

De acordo com Neri, a logística 4.0 já é uma realidade no Brasil, embora ainda exista um caminho a ser percorrido.

“Hoje, vemos cada vez mais empresas investindo em tecnologia porque perceberam que ela é essencial para manter a competitividade. Claro que existem desafios, como os custos de implementação e a dificuldade de integrar novos sistemas aos que já existem, mas os ganhos compensam”, afirma o especialista.

Esses ganhos incluem melhoria na eficiência operacional, redução de custos, aumento da produtividade e, principalmente, avanços na segurança. 

O setor, que antes se baseava em processos manuais e respostas reativas, agora caminha para decisões estratégicas fundamentadas em dados, o que transforma a gestão logística em algo muito mais proativo.

Automação IoT: sensores e conectividade como aliados

Entre as tecnologias que mais impactam a logística, o IoT (Internet das Coisas) ocupa papel central. Ele está presente em dispositivos que coletam dados em tempo real, conectando veículos, cargas e pessoas em uma rede inteligente.

“O IoT permite monitorar a saúde do caminhão e até detectar sinais de fadiga do motorista antes que algo aconteça. Esses sensores se tornaram fundamentais para prevenir acidentes e otimizar a operação”, explica Neri.

Além da segurança, a automação IoT proporciona uma visibilidade completa da cadeia logística, permitindo aos gestores rastrear cada etapa do processo

Essa integração já não se limita a grandes empresas: negócios de médio porte também estão incorporando soluções conectadas, aproveitando a redução gradual dos custos tecnológicos.

Inteligência Artificial: decisões mais rápidas e precisas

O verdadeiro diferencial, segundo Neri, surge quando os dados captados pelo IoT são processados por sistemas de Inteligência Artificial (IA).

“A IA leva a informação adiante. Ela consegue prever cenários de risco, antecipar falhas e até identificar, por meio de reconhecimento facial, se o motorista autorizado está ao volante. Além disso, transforma grandes volumes de dados em insights práticos para os gestores”, destaca o executivo.

Na prática, isso significa rotas otimizadas, redução de paradas desnecessárias e manutenção preventiva baseada em predições. 

A IA promove uma visão estratégica, reduzindo erros humanos e aumentando a confiabilidade das operações.

Rastreamento e monitoramento de segurança no centro de distribuição.jpg

Rastreamento inteligente: telemetria avançada na logística

O rastreamento, tradicional aliado do setor, ganhou novas funções com a evolução da telemetria. Hoje, não se trata apenas de saber onde está o veículo, mas de compreender como ele está operando.

“A telemetria avançada entrega dados sobre o desempenho do veículo, ajudando a evitar atrasos, reduzir riscos e melhorar a comunicação com clientes”, explica Neri.

Esse monitoramento se estende ao comportamento do motorista. Com sensores específicos, é possível identificar sinais de distração ou sonolência, prevenindo acidentes. 

Conforme Neri, em alguns casos, como com o sensor de fadiga, empresas registraram redução de mais de 60% em eventos de distração, comprovando o impacto direto na segurança viária.

Digitalização: dados integrados em plataformas de gestão

Todos esses dispositivos geram uma quantidade massiva de informações, que precisam ser organizadas e analisadas. É aí que entram as plataformas de gestão digitalizada.

“O grande diferencial está na integração. Quando os dados se transformam em relatórios estratégicos, o gestor consegue identificar motoristas com melhor desempenho, prever manutenção e enxergar oportunidades de corte de custos”, ressalta Neri.

Um exemplo prático vem da parceria entre a Platform Science e a I.B. Logística, que resultou em redução de 80% nos tombamentos de caminhões. Esse case demonstra como a digitalização não é apenas teoria, mas uma ferramenta que traz resultados concretos para as empresas.

Desafios na jornada digital

Apesar dos avanços, a transformação digital na logística ainda enfrenta obstáculos. O custo de implementação é uma barreira significativa, principalmente para pequenas e médias empresas. 

Além disso, a integração entre sistemas legados e novas tecnologias exige planejamento cuidadoso e, muitas vezes, consultoria especializada.

Neri ressalta que o retorno sobre o investimento pode ser gradual, mas é consistente: “Os ganhos em segurança, eficiência e economia compensam os desafios iniciais. É uma jornada que exige paciência, mas que se mostra indispensável para quem quer se manter competitivo”, afirma.

O futuro da transformação digital na logística

O próximo passo dessa evolução será marcado por operações ainda mais conectadas, inteligentes e sustentáveis. A Inteligência Artificial tende a se tornar cada vez mais preditiva, antecipando riscos e otimizando rotas de forma quase autônoma.

A sustentabilidade também ganhará destaque, com tecnologias voltadas à redução do consumo de combustível e emissões de CO₂, alinhando logística e responsabilidade ambiental. Além disso, o mercado exigirá soluções personalizadas, adaptadas às necessidades específicas de cada operação.

“A transformação digital já é realidade, mas o que veremos daqui em diante é uma evolução constante, com operações mais seguras, econômicas e competitivas”, conclui Neri.