A gestão logística para marketplace e e-commerce deixou de ser apenas uma etapa operacional de “leva e traz” para se tornar o coração da experiência do cliente.
Com o crescimento exponencial do varejo digital, a exigência do consumidor por entregas rápidas (como o Same-day Delivery) e fretes competitivos aumentou drasticamente a complexidade das operações.
Para equilibrar essa conta, não basta ter bons produtos; é preciso inteligência de dados e infraestrutura robusta.
Como destaca Vitor Magnani, presidente do Movimento Inovação Digital (MID), “o primeiro passo para ter um diferencial logístico é realizar um excelente planejamento para dar suporte a toda cadeia de suprimentos. Aperfeiçoar os processos para evitar desperdícios”.

Diferenças logísticas entre marketplace e e-commerce
Embora muitas vezes andem juntos, operar uma loja própria e vender em grandes vitrines digitais exigem abordagens distintas. No modelo de marketplace, o seller entra em um ecossistema com regras pré-definidas de SLA (acordo de nível de serviço) e expedição.
“No marketplace, o empresário não precisa se preocupar com a estrutura do site, já que ele apenas usufrui do ambiente criado por outra empresa. Já no e-commerce, é de responsabilidade do proprietário implementar o site, fazer a manutenção e garantir que continue operando“, explica Magnani.
No entanto, a responsabilidade sobre a entrega física varia. “Os fretes e o transporte das mercadorias são feitos pelo empreendedor que decidiu vender dentro de um marketplace“, comenta o presidente do MID.
Já na loja própria, o controle é total: “Desde o atendimento até a finalização do processo da compra – com a entrega do produto – tudo é feito pela empresa, sem a ajuda de terceiros na mediação“, completa Magnani.
Confira as principais diferenças na tabela abaixo:
| Característica | Marketplace | E-commerce Próprio |
|---|---|---|
| Infraestrutura Digital | Fornecida pela plataforma | Responsabilidade do lojista |
| Gestão de Frete | Segue regras da plataforma (etiquetas, prazos) | Negociação direta e flexível |
| Foco Logístico | Velocidade de expedição (para manter reputação) | Experiência de unboxing e branding |
Saiba mais: Logística no e-commerce: correios ou transportadora?
5 pilares da gestão logística para marketplace e e-commerce
Para transformar a logística em vantagem competitiva e superar os desafios de escalabilidade, é necessário estruturar a operação sobre cinco pilares fundamentais. Veja como aplicar cada um deles:
1. Estratégia de fulfillment e Centros de Distribuição (CDs)
A escolha do modelo de fulfillment define a agilidade da sua entrega. Empresas maduras avaliam constantemente o mix entre operação In-House (controle total), 3PL (logística terceirizada) e Dropshipping. A tendência atual é a descentralização através da estratégia Hub-and-Spoke, onde estoques menores são posicionados perto dos grandes centros urbanos para reduzir o transit time.
Outra técnica vital é o Cross-docking. Nesse modelo, a mercadoria é descarregada do caminhão de entrada e transferida quase imediatamente para o veículo de saída, eliminando o tempo e o custo de estocagem de longo prazo. Isso exige uma sincronia perfeita, mas acelera drasticamente o fluxo de produtos de alto giro.
2. Aplicações de tecnologia no armazém
A gestão de estoque moderna não aceita “achismos”. O uso de Previsão de Demanda (Forecasting) baseada em dados históricos e IA é essencial para evitar stock-outs em datas críticas como a Black Friday. Saber o que vai vender antes da venda acontecer permite um planejamento de compras assertivo.
Dentro do armazém, a tecnologia dita o layout. Utilizar a Curva ABC para posicionar os produtos mais vendidos próximos às áreas de expedição e aplicar roteirização de picking reduz o deslocamento dos operadores.
Um WMS bem configurado garante a acuracidade do inventário. Lembre-se: um erro no sistema físico resulta em cancelamento de venda e queda de reputação nos marketplaces.

3. O desafio do transporte no last mile
A “Última Milha” (Last Mile) é, historicamente, a etapa mais cara e complexa da cadeia, representando grande parte dos custos logísticos. Para mitigar riscos, a melhor prática é fugir da dependência de uma única transportadora, construindo uma matriz de transporte que combine Correios, transportadoras regionais e motoboys.
A tecnologia de roteirização (via TMS) ajuda a economizar combustível e otimizar a ocupação dos veículos. Além disso, é crucial oferecer opções ao consumidor.
Nesse sentido, Magnani orienta: “O empreendedor deve praticar também a multicanalidade dos serviços logísticos, para oferecer ao cliente um mix de serviços que permite atender todas as necessidades dele, no que diz respeito à cadeia de suprimentos”. Isso inclui uso de lockers, pontos de retirada e entrega agendada.

4. Integração de sistemas
A eficiência operacional depende de uma comunicação fluida entre a “sopa de letrinhas” da logística: OMS, WMS e TMS. A integração de sistemas é o que permite que um pedido feito no marketplace seja instantaneamente reservado no estoque do e-commerce, sem intervenção manual.
Para gestores, o foco deve estar no uso de dados (Analytics). Monitorar KPIs como OTD (On-Time Delivery) e a Taxa de Erro de Picking permite identificar gargalos em tempo real. A automação, seja por software ou robótica em grandes CDs, é o caminho para reduzir a dependência de mão de obra em tarefas repetitivas e focar na estratégia.
5. Fidelização com logística reversa
Muitas empresas veem a devolução como um prejuízo, mas ela é uma ferramenta poderosa de retenção. Uma logística reversa eficiente aumenta a confiança do consumidor na marca. O segredo está na velocidade do processo de reintegração: quão rápido o produto devolvido é inspecionado e volta a ficar disponível para venda?
Políticas claras de troca e um fluxo simples para o cliente (como logística reversa simultânea, onde o entregador coleta a troca no momento da nova entrega) transformam uma possível frustração em uma experiência positiva de fidelização.
Veja também: Unidade de logística integrada: Saiba como otimizar funções no e-commerce
Como reduzir custos sem perder a qualidade na logística de e-commerce?
Reduzir custos não significa piorar o serviço, mas sim eliminar ineficiências. A gestão inteligente permite enxugar a operação mantendo o nível de serviço acordado.
Algumas práticas imediatas incluem:
| Ação Estratégica | Descrição |
|---|---|
| Automação de processos | Elimine planilhas manuais que geram erros e retrabalho. |
| Negociação estratégica | Utilize dados de volume projetado para renegociar tabelas de frete, considerando peso cubado vs. peso real. |
| Embalagens otimizadas | Reduza o “ar” transportado diminuindo a cubagem das caixas. |
| Auditoria de fretes | Verifique sistematicamente se o valor cobrado pelas transportadoras condiz com o contratado. |
Confira: A importância de Minas Gerais para o e-commerce da região Sudeste
Eficiência como diferencial na gestão logística de marketplace e e-commerce
Dominar a gestão logística para marketplace e e-commerce é o que separa as lojas que apenas sobrevivem daquelas que escalam com sustentabilidade. Ao integrar fulfillment estratégico, tecnologia de ponta e uma visão centrada no cliente (do clique à entrega), sua empresa transforma custos operacionais em investimento na marca.
A complexidade logística continuará aumentando, mas com planejamento e as parcerias certas, é possível navegar por esse cenário com agilidade.
Para entender mais sobre a gestão logística eficiente para marketplace e e-commerce, além de outros assuntos envolvendo os setores de logística e modais, continue acompanhando o Modal Connection, o portal de conteúdo das feiras Intermodal e NT Expo.
Leia mais
- Como garantir o compliance nas organizações logísticas?
- As principais habilidades do profissional de logística
- Logística omnichannel: conceito, benefícios e desafios
- Como especificar soluções em Inteligência Artificial para projetos logísticos?
- Consultoria logística: por que vale a pena e o que saber sobre o tema?
- Impacto dos condomínios logísticos na economia local
- Logística própria ou terceirizada? Vantagens e desvantagens
- O papel dos hubs logísticos na eficiência operacional farmacêutica
- O futuro dos armazéns inteligentes
- Mercado livre de energia para centro de distribuição