Em 2024, de acordo com a Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC), o transporte aéreo de cargas movimentou 1,2 milhão de toneladas, um crescimento de 10,2% em relação a 2023.

No mercado doméstico, foram 405,3 mil toneladas (+12,5%) e no internacional, 843,3 mil toneladas (+9,1%).

O crescimento do modal mostra como o transporte aéreo pode fazer a diferença no campo logístico e servir para a movimentação de diferentes tipos de mercadorias.

Pensando nisso, decidimos falar um pouco mais sobre essa modalidade de transporte, além de conversar com um especialista no assunto. Quer saber mais? Confira a seguir!

Transporte aéreo de carga: o que é e como funciona?

O transporte aéreo de cargas é aquele que utiliza aeronaves como aviões e helicópteros para levar insumos e mercadorias de um lugar ao outro.

É o modo mais rápido e também seguro, sendo especialmente útil para produtos perecíveis ou muito sensíveis, que precisam de agilidade e cuidado no transporte. 

Um grande exemplo disso foram as vacinas da Covid-19 que precisaram ser rapidamente distribuídas pelo mundo, e claro, em segurança.

Entretanto, esse modal também é bem caro, além de possuir restrições quanto aos tipos de produtos que podem ser transportados.

Como funciona esse modal

O transporte aéreo de cargas acontece por meio do fretamento de espaços nas aeronaves. Ou seja: alguém paga pelo uso de determinada área do veículo onde será alojada a mercadoria.

O meio de transporte pode ser desde um avião de carga, especializado nesse tipo de serviço, ou até mesmo aeronaves comerciais mais convencionais.

Então, a carga é armazenada em contêineres ou pallets de tamanhos padronizados, adaptados para a aeronave, e em seguida são colocados no espaço contratado.

A regulamentação do transporte aéreo de carga

Para garantir a eficiência e a segurança desse modal de transporte, existem diferentes instituições que regulamentam o setor do trasporte aéreo no Brasil e também no resto do mundo.

No Brasil, a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e a Receita Federal são os órgãos responsáveis por definir as regras e os padrões de qualidade, segurança e higiene necessários para a prestação deste serviço.

Outros países possuem seus próprios órgãos reguladores nacionais, porém também existem instituições internacionais, que visam estabelecer diretrizes básicas para todos os países. É o caso da Associação Internacional de Transporte Aéreo (Iata) e da Organização da Aviação Civil Internacional (Oaci).

Cargas que podem ser transportadas pelo modal aéreo

Existem diferentes tipos de bens e produtos que podem ser transportados por aeronaves. Por consequência, cada um deles precisa de alguns cuidados especiais para chegar ao destino dentro das condições esperadas.

São separados em 3 grupos:

  • Cargas valiosas: itens que possuem um alto valor e são de difícil reposição como obras de arte, joias, metais preciosos ou equipamentos eletrônicos. Precisam de uma acomodação especial para evitar danos no transporte;
  • Cargas restritas: são as cargas que demandam procedimentos especiais em função da sua natureza, como compostos químicos, isótopos radioativos ou materiais potencialmente explosivos;
  • Cargas urgentes ou perecíveis: produtos que precisam de agilidade na entrega, seja por terem uma vida útil curta ou possuírem uma demanda urgente, como o caso de vacinas, alimentos perecíveis ou equipamentos médicos.
Cargueiro aereo.jpg

As vantagens e desvantagens do transporte aéreo de cargas

O modal aéreo é muito benéfico para o comércio nacional e internacional. As principais vantagens são:

  • Agilidade: as aeronaves conseguem percorrer grandes distâncias em pouquíssimo tempo, reduzindo drasticamente os prazos de entrega quando comparado a outros modais;
  • Segurança: os aviões são, estatisticamente, o meio de transporte mais seguro do mundo, sofrendo pouquíssimos acidentes e, portanto, garantindo a entrega dos itens transportados;
  • Qualidade: possui diferentes formas de acomodação, que permite o transporte mais adequado para cada tipo de item, evitando danos no trajeto.

Por outro lado, o modal aéreo também possui as suas desvantagens:

  • Custo elevado: com altas taxas operacionais, de segurança e manutenção, o transporte por aeronaves se torna um dos mais caros que existem, apesar da agilidade e qualidade da entrega;
  • Infraestrutura: os aviões dependem da existência de aeroportos e pistas de pouso para que possam aterrissar e realizar a entrega dos produtos;
  • Dependência climática: para garantir a segurança da viagem, o transporte aéreo se torna extremamente dependente das condições climáticas, com voos podendo ser adiados ou até mesmo cancelados por elas.

Vale ressaltar que apesar de possuir essas problemáticas, outros transportes também possuem dificuldades semelhantes, como o trem que depende da existência das ferrovias ou os navios que também são afetados por questões climáticas.

Logística aérea inteligente: eficiência, segurança e inovação nos aeroportos brasileiros

A logística aérea é um dos pilares da competitividade global, impulsionando o comércio exterior e garantindo agilidade em cadeias produtivas que exigem precisão e confiabilidade.

No Brasil, os aeroportos vêm se consolidando como centros estratégicos de distribuição, apoiados por políticas públicas, certificações internacionais e avanços tecnológicos que transformam o setor.

Cidades-modelo e hubs logísticos de referência

Diferentes cidades brasileiras vêm se destacando como pólos logísticos de excelência.

Campinas, em São Paulo, por exemplo, abriga o Aeroporto Internacional de Viracopos, o maior terminal de cargas do país, reconhecido pela certificação CEIV Pharma da Iata, que atesta padrões rigorosos de transporte de produtos farmacêuticos.

Além disso, o terminal é referência em eficiência, com liberação de cargas em até seis horas, um marco para o setor.

Na capital paulista, o Aeroporto Internacional de Guarulhos (GRU) se consolida como o principal elo entre o Brasil e o mundo, com conexões diretas para 34 países e alto volume de produtos de alto valor agregado, como eletrônicos e medicamentos.

Já no Norte do país, o Aeroporto Internacional Eduardo Gomes, em Manaus (AM), é peça-chave para a Zona Franca de Manaus, operando três terminais dedicados exclusivamente à carga aérea. A sua posição estratégica viabiliza o abastecimento eficiente da indústria local e a distribuição para todo o território nacional.

Esses exemplos mostram como diferentes regiões se integram em uma malha aérea moderna, conectando centros de produção, consumo e exportação e tornando o Brasil mais competitivo globalmente.

Legislação e segurança: bases para o crescimento sustentável

O avanço da logística aérea no país também depende de uma estrutura legal sólida e atualizada.

O Código Brasileiro de Aeronáutica (Lei n.º 7.565/1986) é a espinha dorsal da regulação do setor, definindo diretrizes para operação, segurança e fiscalização do transporte aéreo.

Recentemente, novas normas fortaleceram o arcabouço de segurança e gestão operacional.

A Resolução Anac n.º 729/2024 atualizou o RBAC nº 108, reforçando medidas de proteção da aviação civil contra interferências ilícitas, com foco em padrões internacionais e tecnologias de controle mais rigorosas.

Complementando esse esforço, o Decreto n.º 11.195/2022 instituiu o Programa Nacional de Segurança da Aviação Civil, promovendo ações integradas entre autoridades aeroportuárias, empresas aéreas e órgãos de fiscalização para garantir um ambiente logístico mais seguro e confiável.

Desburocratização da Taxa de Fiscalização da Aviação.jpg

Inovações tecnológicas na logística aérea

A transformação digital é outro vetor essencial dessa evolução. Diversas tecnologias vêm sendo incorporadas para tornar as operações mais inteligentes, sustentáveis e transparentes. Veja:

  • RFID: permite o rastreamento em tempo real das condições da carga, incluindo temperatura e umidade.
  • IoT (Internet das Coisas): otimiza rotas aéreas com base em dados meteorológicos e de tráfego, reduzindo atrasos e custos.
  • Blockchain: proporciona transparência documental e redução de custos operacionais, garantindo a autenticidade das informações.
  • Automação: acelera processos e diminui a emissão de carbono, com sistemas automatizados de triagem e manuseio de carga.
  • Iata ONE Record: estabelece um padrão global para o compartilhamento de dados logísticos, promovendo integração e eficiência em toda a cadeia de transporte.

Transporte Aéreo: etapas logísticas

Buscando maior compreensão sobre o transporte aéreo, conversamos com o engenheiro Francisco de Assis Santana da Silva. Ele atua como supervisor operacional e coordenador das operações aéreas da IBL Logística.

Veja, a seguir, os pontos que foram levantados pelo especialista em nossa conversa!

Passo a passo do transporte aéreo

Silva explica que as etapas logísticas se iniciam nos primeiros contatos comerciais com o cliente. 

“Nesse momento, buscamos entender as necessidades, as particularidades de cada um e do produto durante toda a cadeia de transportes“, explica.

O especialista listou algumas das principais fases:

  • Coleta, recebimento e expedição Cross Docking;
  • Emissão de conhecimento de transportes (CTE) e manifesto eletrônico (MDFe);
  • Entrega e recebimento da companhia aérea;
  • Emissão de conhecimento aéreo (AWB);
  • Retirada do produto na ponta e posterior entrega ao destinatário.

 Silva comenta, ainda, que assim que o veículo chega ao aeroporto para fazer os despachos, os volumes são descarregados de forma separada e organizada por destinos, pesados e conferidos pela companhia aérea.

Segundo ele, para dar visibilidade do que está chegando, todas as bases de destino recebem os pré-alertas de programação, para se planejar com roteirização das entregas levando em consideração as particularidades de cada cliente destinatário.

“Ao se consumar a entrega pelo destinatário, deve-se assinar o canhoto da nota fiscal e CTE com nome e RG legível, data e hora da entrega”, complementa Silva.

O que pode ser transportado pela via aérea

De acordo com o supervisor da IBL Logística, praticamente todos os tipos de cargas podem ser transportadas por aviões, desde que atendam às exigências da Anac.

Umas das poucas exceções, segundo o especialista, são produtos explosivos ou com determinados tipos de gases. Tais itens não são autorizados pela Anac para embarcar em aviões.

Sobre as exigências da Anac, Silva explica:

“Há parâmetros exigidos de forma obrigatória, tais como: peso máximo por volume de até 200 quilos e dimensões máxima de 120 cm de altura por 140 cm de largura por 160 cm de comprimento para voos domésticos de passageiros. Vale salientar que esses voos tem capacidade média de carga de 2500 quilos”.

Ele complementa trazendo como exemplo os voos cargueiros na rota Guarulhos – Manaus – Guarulhos.

“Para esse perfil de aeronave são aceitos volumes de maior dimensão, com altura máxima até 2,20 m e largura de 2,44 m, peso real ocupado na posição aproximadamente de 3,5 toneladas a depender do balanceamento da aeronave. A capacidade de carga total é de 50 toneladas”.

As principais aplicações do transporte aéreo para o campo logístico

No entender de Silva, os transportes aéreos se tornam necessários quando se precisa de um tempo mais curto de entrega para atender a cadeia de suprimentos das regiões mais distantes, como o Norte e o Nordeste.

Sendo assim, o modal aéreo é relevante para atender a demanda dos moradores de municípios desses locais, no que se refere a insumos médicos e farmacêuticos, por exemplo.

Silva também comenta que o transporte aéreo, em algumas situações, pode ser usado para fazer entregas em outras regiões.

“Dentro dessa realidade há possibilidade em optarmos por níveis de categoria de serviço, sendo o serviço mais nobre, aquele que traz o prazo mais curto e, portanto, o mais caro”, sintetiza o representante da IBL Logística.

O futuro da logística aérea no Brasil

Com aeroportos cada vez mais modernos, legislação alinhada a padrões internacionais e tecnologias emergentes impulsionando a eficiência, o Brasil avança rumo a um ecossistema logístico aéreo mais seguro, sustentável e conectado.

A consolidação de cidades-modelo e o investimento em inovação posicionam o país não apenas como um grande mercado, mas como um hub estratégico global de movimentação de cargas, pronto para atender às demandas de um mundo em transformação.

Quer continuar aprendendo sobre os principais meios de transporte de cargas e seus benefícios? Então continue acompanhando o Modal Connection!