No Congresso Intermodal, durante a Intermodal South America 2026, o transporte aéreo de cargas entrou em debate no painel “Hub Aéreo Brasil: estratégias para liderar o comércio de alto valor na América Latina”

“Temos aqui tanto o setor privado como o público para discutir como o Brasil vêm se transformando e se tornando mais eficiente nesse projeto logístico”, comentou o mediador Tiago Barbosa, consultor em Facilitação do Comércio do BID e FMI. 

O objetivo do encontro foi debater estratégias para que o país supere os gargalos atuais do transporte aéreo e se posicione como hub logístico líder para o comércio de alto valor na América Latina. Mas enfim, o Brasil tem potencial para atender todo o continente?  

A discussão também passou pela necessidade de otimizar a burocracia aduaneira e preparar a infraestrutura aeroportuária para a demanda do e-commerce, em crescimento constante, e todo o comércio exterior. 

Participaram do painel: Marcelo Vitorino, Country Manager (TAP Air Cargo); Paulo Souza, diretor de Operações de Cargas (GRU Airport Cargo); Luíza Deusdará, diretora de investimentos na Secretaria Nacional de Aviação Civil (SAC); e André Luiz Martins, superintendente adjunto da 8ª Região Fiscal (Receita Federal). 

Entenda agora como os players do modal aéreo enxergam o Brasil como hub logístico. 

Guarulhos em destaque 

Paulo Souza iniciou sua fala destacando que, no ano passado, o aeroporto de Guarulhos foi reconhecido como o maior em transporte de passageiros na América Latina e Caribe. “Mas quando se fala em passageiros, logo vem a carga”, reforçou.  

Alguns dados foram compartilhados por ele: GRU tem uma média de 800 voos diários, com cerca de 500 toneladas de carga chegando e outras 500 toneladas saindo. Recentemente, o GRU Airport assumiu a operação do 2º terminal de exportação.  

Para receber e enviar cargas, Souza afirmou: “Estamos organizados e estruturados para receber essa demanda como hub”. 

Complementando essa visão operacional, Marcelo Vitorino trouxe insights da TAP Air Cargo. Segundo ele, o conceito de hub faz parte do DNA da TAP, que funciona nesse molde nas cidades de Lisboa e Porto. 

Avaliando o cenário brasileiro e seu transporte aéreo, Vitorino destacou que “a capacidade que temos de receber carga do mundo é imensa”. Mas fez uma ressalva: “Vamos lembrar que o Brasil, por si só, já é um continente”. Ele exemplificou como a TAP já se utiliza da multimodalidade para transportar cargas entre São Paulo e Fortaleza, Manaus e Brasília, e assim em diante. 

Ele ainda citou a Europa como benchmarking no assunto hub logístico, destacando o aeroporto de Amsterdã. 

Hub logístico Cone Sul  

Vitorino apontou que o maior potencial do Brasil como hub logístico é dentro do Cone Sul, ou seja, Chile, Argentina, Uruguai e Paraguai. Os painelistas concordaram que no transporte aéreo, a competição com o aeroporto de Miami ainda é complexa. 

Corroborando com essa ideia do Cone Sul, Martins trouxe a visão da Receita Federal nessa relação. Especialmente, em quais são os gargalos. 

“Esses últimos 10 anos trazem uma evolução muito grande da Receita Federal, saindo do papel para uma tecnologia avançada, com sistemas eficientes, pontos que são propícios para esse hub”, comentou. “A tecnologia traz a Receita como um parceiro para o desenvolvimento, e não um gargalo. Porém, a legislação [de trânsito aduaneiro] não está totalmente adaptada”. 

Uma maior integração de todo o setor aéreo é um dos caminhos apontados por Martins, e também por Luíza, como fator que viabiliza o Brasil como grande central logística da região.  

A representante da SAC abriu sua fala com um reforço. “O setor de aviação civil é altamente complexo mas muito inovador. Ninguém voa sozinho, o setor funciona com a coordenação de muitos atores”. 

Em sua participação no painel, Luíza apresentou algumas parcerias da Secretaria. Por exemplo: o CT Carga junto ao Conaero – Comissão Nacional de Autoridades Aeroportuárias; o CCT Importação (2023) com a Receita Federal; a plataforma de dados Hórus, promovida pelo LabTrans (Universidade Federal de Santa Catarina); e a Agenda Conectar. 

Modernizar é preciso 

Todos os painelistas concordaram na importância da modernização, de infra e de processos, para impulsionar o Brasil como referência no transporte de cargas aéreo. 

Segundo o diretor do GRU Airport Cargo, processos de despacho e desembaraço devem ser mais eficientes. Para ele, o aeroporto é para passagem da carga, não armazém. “Já que está no avião é para ter agilidade”. 

No tópico de modernização, Luíza lembrou um anúncio recente de que o GRU Airport assumiu a operação e vai investir na infraestrutura de 12 aeroportos regionais

Vitorino destacou a importância de investir, com o aumento da demanda tanto no comércio interno como no exterior, principalmente em pessoas. “Precisa ter coragem e iniciativa para investir, daí o resultado vem”. 

“Agora é a hora de trazer os setores para entender qual é o gargalo e o que é preciso para fazer acontecer, e vamos fazer juntos” concluiu Martins. 

Continue acompanhando o Modal Connection para conhecer os impactos do modais de transporte na economia brasileira.