Segundo Angela Gheller, diretora de produtos para logística da TOTVS, a Inteligência Artificial, a integração de dados e a automação vêm ampliando a importância estratégica do setor para as empresas. A propósito, no Universo TOTVS 2026, foram apresentadas novidades para atender às demandas do segmento, incluindo uma suíte com 16 soluções desenvolvidas ao longo dos últimos sete anos. Ela compreende diferentes etapas da operação, do transporte à movimentação de materiais.
Em entrevista ao Modal Connection, durante o evento, a especialista da TOTVS explicou como as tecnologias podem ampliar a visibilidade das operações, contribuir para a otimização de rotas e a redução de custos e apoiar a prevenção de falhas. A executiva abordou também os desafios da digitalização em empresas que utilizam sistemas legados, os impactos da Reforma Tributária e do crescimento do e-commerce e as transformações que a Inteligência Artificial deve promover no setor nos próximos anos.
Um panorama importante para quem atua neste segmento que segue numa crescente. Veja como ficou o nosso pingue-pongue com a Angela.
Quais novidades do portfólio de logística foram apresentadas no Universo TOTVS 2026?
Angela Gheller: A TOTVS desenvolveu uma Suíte Logística, composta por 16 soluções criadas ao longo dos últimos sete anos. O objetivo foi desenvolver tecnologias que não estivessem necessariamente vinculadas ao ERP, porque um cliente de logística pode utilizar o sistema de gestão de outro fornecedor e, ainda assim, precisar das nossas soluções.
E quais desafios do setor essas soluções buscam resolver?
Angela Gheller: A suíte contempla diferentes áreas, desde a movimentação de materiais dentro da indústria até a gestão de transporte. Também desenvolvemos soluções para o embarcador, incluindo controle de fretes e leilão de fretes, além de ferramentas para toda a jornada do transporte, como TMS para transportadoras, coleta, entrega, gestão de documentos, WMS para movimentação de materiais, YMS para gerenciamento de pátio e agendamento.
São soluções modernas, com novas tecnologias e interfaces, desenvolvidas para oferecer uma experiência de uso diferente. A logística se tornou protagonista na economia brasileira nos últimos quatro ou cinco anos e passou a fazer parte da estratégia das empresas. Com isso, a necessidade de tecnologia aumentou. Nosso objetivo é justamente ajudar o setor a ter mais visibilidade sobre as operações e resolver suas principais dificuldades.
Sobre a Inteligência Artificial, a protagonista do Universo TOTVS 2026, até que ponto ela permite a antecipação de atrasos e redução das falhas no setor logístico? Como ela atua no preventivo?
Angela Gheller: A logística ainda sofre muito com a dificuldade de antecipar falhas, principalmente por questões relacionadas aos dados. Quando não existe fluidez das informações dentro da empresa, até que o dado chegue e seja possível identificar um atraso, muitas vezes o problema já está acontecendo há algum tempo.
Para atuar preventivamente, é necessário ter os dados tratados e fluindo dentro da empresa. É preciso enxergar o que está acontecendo na operação para, então, identificar situações que exigem atenção para agir com antecedência.
Por falar em dificuldades, muitas empresas ainda trabalham com sistemas legados. Então, como elas podem avançar na digitalização sem comprometer a agilidade da operação e sem precisar substituir todos os sistemas?
Angela Gheller: O primeiro passo é ter uma visão de como a empresa está em relação aos dados, para identificar onde existe fluidez e onde não existe. Tanto no transporte quanto na indústria, há um ecossistema de soluções funcionando em conjunto, e é preciso entender essa estrutura antes de decidir o que fazer.
A partir desse diagnóstico, a empresa consegue planejar o que realmente precisa. Em alguns casos, será necessário trocar um sistema, em outros, ajustes nas soluções existentes podem ser suficientes para melhorar a integração e garantir que as informações fluam. O importante é fazer esse planejamento e construir uma base de dados tratada, de acordo com as necessidades da operação.
As soluções de logística da TOTVS são voltadas principalmente às grandes empresas ou também atendem aos pequenos e médios negócios?
Angela Gheller: Atendemos empresas pequenas, médias, grandes e gigantes. As soluções são escaláveis e podem atender desde uma empresa com três ou quatro usuários até uma operação com quatro mil usuários, dependendo da complexidade. No transporte, por exemplo, a complexidade pode ser grande independentemente do tamanho da empresa ou da quantidade de funcionários. O interessante é que conseguimos acompanhar a jornada do cliente desde o início, oferecendo soluções que podem evoluir junto com o crescimento do negócio.
Como essas soluções ajudam a reduzir os quilômetros rodados sem carga, consumo de combustível e custos de armazenagem?
Angela Gheller: Acredito que esse seja um dos principais ganhos proporcionados pelas soluções, porque a empresa começa a ter uma visão de onde precisa atuar para reduzir custos e melhorar seus resultados. Temos, por exemplo, soluções de otimização do transporte que ajudam a ampliar a visibilidade sobre toda a jornada. Com isso, a empresa consegue identificar onde estão os custos e as perdas da operação, além de avaliar questões como o aproveitamento dos caminhões e o planejamento das rotas.
Quanto melhor for o aproveitamento da capacidade do caminhão e a organização das entregas em uma mesma rota, maior será a possibilidade de reduzir deslocamentos desnecessários e custos operacionais.
Rapidamente, num panorama do setor e considerando o cenário brasileiro, quais mudanças da Reforma Tributária devem exigir mais atenção das empresas de logística?
Angela Gheller: A Reforma Tributária vai trazer desafios importantes para a logística, porque as mudanças na tributação terão impacto sobre as operações das empresas. O Brasil é continental, e temos indústrias que se estabeleceram em diferentes regiões, do Norte ao Nordeste, considerando também as questões tributárias. Com as mudanças, as empresas precisarão fazer cálculos e entender como a nova dinâmica de tributação afetará seus negócios. A logística está diretamente ligada à produção e à distribuição, por isso será necessário avaliar esses impactos e planejar as operações.
Dentro deste mesmo panorama, temos também o crescimento do e-commerce, quais pontos merecem atenção?
Angela Gheller: O crescimento do e-commerce é outro movimento importante no setor logístico. As próprias indústrias já estão cada vez mais presentes nesse mercado e precisam se estruturar para atender a essa demanda. Inclusive, a tecnologia tem um papel importante nessa transformação, tanto para as operações de transporte quanto para a organização logística das empresas.
Voltando às tecnologias e de olho nos próximos anos, quais delas devem transformar mais profundamente o setor logístico brasileiro? O que deixará de ser um diferencial para se tornar requisito de competitividade?
Angela Gheller: A Inteligência Artificial vai transformar a maneira de trabalhar, tanto na manufatura quanto na logística. Estamos apenas no começo desse processo, e a tendência é que a automação avance cada vez mais em função da IA. As empresas precisam investir e entender como essa tecnologia pode transformar seus processos. Não se trata apenas de utilizar Inteligência Artificial em uma solução específica, mas de repensar a maneira como a empresa trabalha, como produz e o que vai produzir. Estamos vivendo um momento que pode ser comparado ao da chegada da energia elétrica às fábricas. Naquela época, as empresas que entenderam mais rapidamente as possibilidades da nova tecnologia conseguiram se posicionar de outra forma no mercado.
Para finalizar?
Angela Gheller: Estamos diante de uma transformação com a Inteligência Artificial. As empresas precisam pensar em como vão produzir e operar com essa tecnologia. E, à medida que as respectivas soluções se tornarem mais acessíveis, a transformação também será cada vez mais democrática. Por isso, a IA precisa entrar no planejamento das empresas.