O e-commerce já é um mercado consolidado entre os consumidores brasileiros. No painel “Estoque sob pressão: navegando e prosperando na variabilidade da demanda no e-commerce “ do Congresso Intermodal, representantes do setor se juntaram para compartilhar desafios e melhores práticas na gestão do estoque.
No palco da Intermodal South America 2026, Fernando Mansano, presidente da ABIACOM (Associação Brasileira de Inteligência Artificial e E-commerce), mediou a discussão entre Marcelo Steffen, expert em Supply Chain na McKinsey; Willemberg Cruz, diretor de Logística no Grupo Casas Bahia; e Luciano Xavier, diretor de Transportes do Grupo Boticário.
A alta volatilidade de demanda no mercado de e-commerce brasileiro é ponto de atenção para as operações logísticas, e a eficiência e experiência do cliente não podem ser comprometidos.
Confira a seguir o resumo do painel, com as principais mudanças que aceleram as transformações no comércio eletrônico e as estratégias testadas e aprovadas para suprir demanda.
O desafio da variabilidade
Para abrir o painel, o mediador lembrou que “o e-commerce foi um dos setores em que mais se investiu nos últimos anos, principalmente junto a pandemia”. O consumidor exige uma entrega rápida, com baixo custo, e as lojas online precisam de um planejamento para atender as proporções continentais do Brasil.
A sazonalidade é o que mais pode impactar a demanda. Datas comemorativas, Black Friday, e o novo hábito das datas duplas, impulsionam as vendas e exigem uma preparação reforçada em lojas e centros de distribuição.
No Grupo Boticário, composto por 10 marcas próprias e com o e-commerce multimarcas Beleza na Web, existe ainda o diferencial dos produtos serem pequenos e presenteáveis, o que exige uma logística ainda mais específica, como a montagem de kits e a distribuição em lojas. Luciano Xavier detalhou que a operação do grupo conta com três centros de distribuição para o e-commerce, mas a prioridade para as vendas online é a entrega a partir de um ponto de venda.
Para antecipar possíveis períodos de demanda mais alta (ou mais baixa), Xavier comenta que o mais importante é trabalhar muito próximo do planejamento comercial e de marketing.
Online e offline: a importância de ser omnichannel
O diretor de logística do Grupo Casas Bahia corroborou com a estratégia de utilizar os pontos de venda como pequenos pontos de distribuição do e-commerce. E no caso das Casas Bahia, a retirada em loja muitas vezes é a opção preferida dos compradores.
Cruz compartilhou com o público: “O que nos ajuda na oscilação de demanda é, primeiro, ter 25 CDs por todo o Brasil [somando 1 milhão e 100 mil m²], ter uma malha logística que entrega em 100% das cidades brasileiras e 1.042 lojas físicas que ajudam no omnichannel”.
A omnicanalidade, inclusive, se faz necessário para a logística reversa e a política de devolução e trocas. Tanto Cruz como Xavier explicaram alguns processos de entrega em loja, retirada em domicílio ou envio por correio, elementos importantes para a experiência do consumidor.
Previsão de demanda e melhores práticas
Complementando as falas dos representantes do varejo, Marcelo Steffen apontou erros comuns quando o assunto é demanda no e-commerce:
- 1º erro: investir mal em forecast. Não explorar tecnologias e sistemas disponíveis, como IA e machine learning (segundo dados da McKinsey, só metade das empresas do Brasil investem nesse último exemplo);
- 2º erro: mau uso de outros recursos, lidando com a variabilidade só com estoques ruins, desbalanceado entre diferentes regiões.
Para o expert, quando o assunto é estoque e operação do e-commerce, existem várias soluções que, integradas, ajudam a minimizar rupturas. “O importante é ter uma boa diligência em torno de todas elas”.
E ele resumiu os exemplos: “estoque distribuído, omnicanalidade, investimento em forecast, proximidade de áreas (comercial vs operacional), políticas de estoque segmentado”.
Para finalizar, Steffen recomenda que toda a cadeia deve estar preparada para reagir rápido, pois o desafio não é só logístico.
E a Inteligência Artificial?
O presidente da ABIACOM aproveitou o encontro para questionar os painelistas quanto ao uso da IA, e se a tecnologia já é utilizada para essa finalidade logística.
Em ambos os grupos varejistas, a IA está presente em diferentes níveis, mas principalmente em formato de teste e aprendizagem.
“No tema de demanda, GenAI [IA generativa] não vai substituir a matemática. Não substitui tudo o que foi feito até agora, com algoritmos de previsão. Ela pode ajudar a interpretar resultados e encontrar as variáveis, tendo um papel de copiloto”, destacou Steffen.
Encontre outras discussões do setor em nossa cobertura da Intermodal South America 2026, no Modal Connection.