A tecnologia blockchain é um sistema de registro digital descentralizado que permite armazenar, validar e compartilhar informações de forma segura, rastreável e transparente.
Amplamente utilizada em setores como finanças, portos e transporte marítimo, essa tecnologia vem ganhando espaço como uma solução estratégica para aumentar a eficiência operacional e a confiabilidade de cadeias logísticas complexas.
No setor ferroviário, a sua aplicação é especialmente relevante por envolver múltiplos agentes – operadores, concessionárias, governos, fornecedores e usuários – além de contratos de longo prazo, concessões, bilhetagem e cadeias de suprimentos extensas.
Nesse contexto, o uso do blockchain nas ferrovias surge como um importante vetor de modernização, digitalização e redução de custos.
Da possibilidade de pagamento de bilhetes por meio de criptomoedas até a rastreabilidade total de cada viajante ou carga, o uso da tecnologia blockchain nas ferrovias já é uma realidade em diferentes países e tende a se expandir.
Para aprofundar o tema, este artigo conta com a contribuição do engenheiro Felipe Copche, membro da ANPTrilhos e da equipe de Engenharia de Projetos de Sistemas do Metrô de São Paulo.
Continue conosco para saber mais!
O que é blockchain e como ele pode auxiliar as ferrovias brasileiras?
De forma objetiva, Felipe Copche inicia a entrevista explicando o conceito da tecnologia:
“Blockchain é uma tecnologia revolucionária baseada em uma cadeia de códigos digitais criptografados e elencados que possibilita o envio e o recebimento de informações pela internet de forma rastreável, transparente, permanente e inviolável”, explica.
“Forma um banco de dados descentralizado, público, armazenado na internet e com redundâncias nas informações distribuídas que praticamente impedem que a cadeia seja corrompida pela falha, atividade de hackers, inatividade de computadores ou nós da rede”, complementa.
Segundo Copche, embora o conceito tenha surgido em meados de 2008, o termo blockchain tem ganhado uma atenção global crescente há poucos anos.
“Existe uma expectativa de que o impacto deste conceito tecnológico nos diversos setores da economia pode ser tão grande quanto foi com a revolução da internet”, observa.
Ao relacionar o blockchain com o setor ferroviário e metroviário, o engenheiro destaca:
“Quanto ao setor metroferroviário brasileiro, existem algumas possibilidades potenciais de aplicação desta tecnologia visando aprimorar a gestão e os custos no transporte de pessoas e de cargas”, ressalta.
“Dar maior flexibilidade aos passageiros nos bilhetes, além da obtenção de ganhos na cadeia de suprimentos e na gestão de obras em empreendimentos ferroviários com a simplificação e desburocratização das transações enquanto se tem maior transparência no processo”, continua.
Os benefícios do blockchain para o setor ferroviário
A aplicação do blockchain nas ferrovias pode gerar ganhos diretos em diferentes frentes da logística e da operação:
- Rastreabilidade de cargas em tempo real, com dados imutáveis;
- Transparência em contratos e concessões ferroviárias;
- Redução de fraudes, erros operacionais e retrabalho;
- Integração com sistemas de logística intermodal (ferrovia + porto + rodovia);
- Automação de processos por meio de contratos inteligentes.
Esses benefícios já são observados em portos e no transporte marítimo, onde o blockchain é utilizado para documentação digital, rastreamento de contêineres e redução de disputas contratuais, um indicativo claro do potencial de expansão para o modal ferroviário.
Como a tecnologia pode impulsionar o modal ferroviário?
Felipe destaca aplicações práticas que já vêm sendo testadas:
“Atualmente, já se veem testes em campo e a implantação de algumas aplicações utilizando blockchain que podem ajudar a aumentar a atratividade do modal ferroviário em diferentes aspectos”, comenta.
Ele complementa com a visão de outros especialistas:
“De acordo com Joe Preece, pesquisador PhD do Centro de Pesquisa e Educação Ferroviária da Universidade de Birmingham, a emissão inteligente de bilhetes usando blockchain pode melhorar a experiência do passageiro pela maior flexibilidade, enquanto reduz o desperdício de bilhetes de papel”.
O engenheiro também reforça o impacto na cadeia de suprimentos:
“Com o blockchain, as partes interessadas da cadeia de suprimentos podem se comunicar diretamente, mantendo a procedência e a confiança na relação com um melhor custo-benefício, já que elimina a necessidade de agentes intermediários que acarretam custos para processar e transacionar dados entre empresas”, afirma.
Casos de uso internacionais do blockchain em ferrovias e logística
Embora ainda em estágio inicial, já existem iniciativas relevantes em diferentes regiões:
Europa
- Suíça: uso de blockchain para credenciais de trabalhadores ferroviários;
- Alemanha: a Deutsche Bahn desenvolve plataformas blockchain para bilhetagem, manutenção e controle operacional;
- Reino Unido: criação da Blockchain in Transport Alliance (BiTA), com centenas de empresas associadas.
Ásia
- China: uso de blockchain em plataformas logísticas ligadas à Nova Rota da Seda e integração multimodal;
- Sistemas de bilhetagem digital integrados em grandes metrópoles.
Rússia
- Testes com contratos inteligentes para reduzir fraudes e aumentar a transparência nas operações ferroviárias.
Esses exemplos mostram que o blockchain já é considerado uma tecnologia estratégica no transporte ferroviário global.
E as perspectivas para o Brasil?
No Brasil, a aplicação do blockchain pode avançar em sintonia com iniciativas de digitalização regulatória, como projetos conduzidos pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), além de programas privados de modernização ferroviária, interoperabilidade de sistemas e rastreabilidade logística.
Felipe destaca que o país deve acompanhar as experiências internacionais e avaliar desafios técnicos:
“Ou seja, a tecnologia ainda é relativamente nova e requer um exame minucioso antes da implantação em grande escala”.
Entre os principais pontos de atenção estão:
- Sustentabilidade energética;
- Segurança da informação;
- Escalabilidade das redes.
FAQ – Blockchain nas ferrovias
Quer saber mais sobre o blockchain nas ferrovias? Então confira algumas das principais perguntas e respostas sobre o tema:
Como o blockchain pode aumentar a eficiência das ferrovias?
Ao automatizar processos, reduzir intermediários e garantir dados confiáveis em tempo real.
Quais setores da logística já usam blockchain?
Portos, transporte marítimo, cadeias de suprimentos globais e logística internacional.
O Brasil já tem projetos de blockchain aplicados às ferrovias?
Ainda em estágio inicial, mas há iniciativas de digitalização regulatória e interesse crescente do setor privado.
O uso do blockchain nas ferrovias representa uma oportunidade concreta de elevar o patamar tecnológico do transporte ferroviário, ampliando a transparência, a eficiência e a integração logística.Quer continuar explorando como a tecnologia está transformando a logística e a infraestrutura? Confira outros conteúdos sobre inovação, logística digital e intermodalidade em nosso canal!