A busca por soluções mais sustentáveis no transporte ferroviário tem acelerado o desenvolvimento dos trens híbridos e movidos a bateria.

Essa inovação surge como alternativa estratégica para operar trechos não eletrificados, reduzir emissões de carbono e diminuir a dependência do diesel, sem comprometer a eficiência e a segurança das operações ferroviárias.

Alexandre da Silva Augusto, engenheiro eletricista especializado em ferrovias e diretor da empresa Servsis, compartilhou seu conhecimento sobre o assunto conosco.  Veja o que ele nos disse a seguir!

O funcionamento da tecnologia dos trens híbridos e à bateria

Alexandre da Silva Augusto inicia a entrevista explicando que, atualmente, existem projetos para veículos leves sobre trilhos (VLTs) que são alimentados com catenárias de 750 vcc.

“Em determinados locais eles se movimentam alimentados por baterias sem catenárias .As baterias são carregadas enquanto estão sendo alimentadas pela catenária”, ressalta.

Ele traz como exemplo o metrô de São Paulo:

“O monotrilho da Linha 17 – Ouro do Metrô é alimentado principalmente por energia elétrica captada através de trilhos de alimentação  instalados ao longo da viga-guia. No entanto, os trens possuem um sistema inédito de baterias de bordo que funcionam como fonte de energia auxiliar ou de reserva”.

O especialista lembra que a tecnologia de trens híbridos funciona apenas em pequenos trechos operacionais ou em casos de emergência.

“Na parte maior o sistema é alimentado por catenária por trilhos de alimentação. O VLT não pode ser alimentado por terceiro trilho nas condições normais, com exceção ao VLT do Rio de Janeiro que possui um trilho de alimentação imbuído no solo”, acrescenta.

Os principais ganhos ambientais e econômicos dos trens híbridos

Além dos ganhos ambientais diretos, como a baixa emissão de carbono, Alexandre Augusto ressalta que o sistema destaca-se pela reciclabilidade das baterias, que atinge entre 90% e 100%.

“No trem híbrido, a tração a bateria apresenta custos de manutenção reduzidos em comparação ao motor diesel, devido ao menor número de componentes sujeitos a desgaste”, afirma.

Inovação: avanços em baterias de alta capacidade e sistemas híbridos

No cenário tecnológico brasileiro, o uso do nióbio em baterias, desenvolvido pela Companhia Brasileira de Metalurgia e Mineração (CBMM), promete revolucionar o setor ao elevar os níveis de segurança e acelerar a velocidade de recarga.

“Contudo, a implementação dessa nova geração de baterias enfrenta desafios estratégicos, como a necessidade de infraestruturas de carregamento sustentáveis (via energia solar) e a formação de mão de obra especializada para lidar com essa tecnologia emergente no país”, observa.

Lugares que já utilizam trens híbridos ou movidos a bateria e potencial de aplicação no Brasil

Europa, China e Austrália estão à frente quando o assunto é a utilização de trens híbridos ou movidos a bateria.

“A Europa, que enfrenta custos de energia elevados, tem investido em trens movidos a bateria há cerca de quatro anos. Esse movimento ocorre em paralelo aos avanços significativos na China (líder global em tecnologia de baterias) e na Austrália, que desenvolve trens de carga a bateria”, cita.

“No Brasil, o potencial para trens híbridos é considerável. A crescente urgência por fontes de energia limpa e acessível tem impulsionado a difusão dessas tecnologias, tornando a sua utilização mais segura e seus componentes mais acessíveis ao mercado nacional”, conclui Alexandre da Silva Augusto.

Com avanços tecnológicos, ganhos ambientais e redução de custos operacionais, os trens híbridos e a bateria despontam como uma solução promissora para modernizar a ferrovia brasileira e ampliar o uso de energia limpa no país.