A Conferência Nacional de Logística by Abralog foi realizada dentro do 4º Interlog Summit, o palco de congresso da Intermodal South America 2026. Na quarta-feira, dia 15 de abril, a programação contou com a palestra ESG como estratégia para o desenvolvimento da Logística da CSN”

O público acompanhou os resultados do Relatório de ESG 2025 da Logística da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), comentados por Bruno Facchinetti, gerente de Logística Nacional, e Leo Suisso, coordenador de Logística Internacional. 

A apresentação trouxe exemplos de ações dentro dos três pilares ESG: ambiental, social e governança corporativa, evidenciando como a logística integrada — rodovia, ferrovia e porto — sustenta operações de grande escala com eficiência. 

Confira os destaques do conteúdo nos próximos tópicos. 

Sustentabilidade na logística integrada 

Leo Suisso apresentou a operação logística da CSN, uma logística integrada por conectar rodovias, ferrovias e portos para transporte matérias-primas e produtos siderúrgicos para mais de 160 cidades, distribuídas em 10 estados. 

O coordenador compartilhou números dessa operação, que movimenta 10 milhões de toneladas de matéria-prima e distribui 5 milhões de toneladas de aço por ano. Com 26 mil viagens logísticas/ano, a operação conta com sete portos, três usinas, quatro CDs, quatro centros de serviços e uma unidade de beneficiamento de escória.  

Ele destacou o trabalho de Segurança Operacional, com o objetivo do Zero Acidente. O primeiro elemento dessa equação é o treinamento. “Nós temos todos os motoristas, desde o novo até os que já estão atuando e passando por reciclagem, entendendo quais são os processos que envolvem a operação. São quase 15 mil treinamentos ministrados nesse objetivo”, apontou Suisso. 

A aplicação da NR-12 e a NR-35 juntam-se ao objetivo, o que já trouxe resultados para a empresa: 75% de redução de situações de risco e 88% de redução de conflitos homem x máquina. 

Resultados no ambiental 

O transporte ferroviário foi destacado como uma prioridade para logística sustentável. O coordenador apontou que 90% das matérias-primas são transportadas neste modal. Em 2025, isso evitou a emissão de 418 kt de CO2 por 232 mil viagens rodoviárias que foram evitadas. 

A gestão de resíduos nos terminais foi o próximo elemento destacado, dando o tratamento adequado para cada resíduo gerado na operação: madeira, plástico, metais e os produtos químicos e oleosos. Em 2025, isso representou cerca de 246 toneladas de material reciclado. 

No tópico economia circular, foram apresentadas duas iniciativas. A primeira engloba toda a cadeira siderúrgica, com reaproveitamento de materiais e redução de resíduos. Suisso exemplificou que 47% da serraria é proveniente de sucata, o que conserva recursos naturais. 

A segunda iniciativa se alinha com a logística reversa, de forma que berços metálicos e as taliscas (peças de madeira) utilizados no transporte de matéria-prima voltam para o início da cadeia e são reaproveitados, evitando mais geração de resíduos. 

O transporte rodoviário não foi negligenciado. Destaque para a adoção de caminhões a GNV ou elétricos. Suisso apontou que, enquanto uma viagem a diesel emite 339,3 kg de CO2, o veículo elétrico representa apenas 5,4 kg de emissões. 

Reconhecimento de equipes e a importância da governança 

Entrando no S do ESG, Facchinetti destacou os esforços para a redução da sinistralidade, índice que vem sendo avaliado desde 2021. No ano passado, foram registradas 75 ocorrências a menos. 

A infraestrutura dos pátios logísticos foi lembrada. Segundo o diretor, 90% das instalações da CSN têm instalações com acessibilidade para pessoas com deficiência. 

Destaque também para o compliance, apontado como um compromisso de toda a empresa. “Fazemos com que todos os colaboradores e parceiros passem pelo treinamento de compliance”, reforçou. 

E concluindo as ações de diversidade e inclusão, Facchinetti destacou iniciativas de produção de conhecimento, através de artigos e eventos do setor logístico. Na representatividade feminina, uma surpresa: enquanto a meta da companhia é de 28% de mulheres empregadas, a gerência de logística já atingiu 37% de colaboradoras. 

A valorização de pessoas também é ponto de atenção. O programa “Tempo de Pátio” foi criado para reconhecer colaboradores de transportadoras, alguns com mais de 40 anos de trabalho com a CSN. Para celebrá-los, foi realizada uma cerimônia de homenagem. “Foi um dia bastante emocionante, reconhecendo esses colaboradores junto de esposas e filhos”, concluiu o diretor. 

ESG traz resultados positivos 

“Pensar em sustentabilidade é ir além do lucro, mas o ESG também traz ganhos financeiros”, lembrou Facchinetti. Nesse tópico, ele destacou: 

  • Economia na casa de milhões de reais com a redução no número de sinistros; 
  • Redução de multas com a utilização de um aplicativo com 99% de acuracidade (projeto Jetta); 
  • Redução de custos com transporte ferroviário e cabotagem mais eficiente; 
  • Economia com a implementação da logística reversa de barrotes em Camaçari; 
  • Faturamento de mais de R$ 100 milhões em vendas especiais (“tudo o que sobra ou é inservível”). 

Vale reforçar que os dados compartilhados na conferência se referem apenas à gerência da logística. Saiba mais sobre ESG na CSN

Sustentabilidade e eficiência multimodal são temas que marcam toda a programação da Intermodal South America 2026. Siga acompanhando a cobertura oficial no Modal Connection.