Assim como em todos os setores da economia, na Infaestrutura as start ups entregam inovação e muita tecnologia. Elas utilizam tecnologias como IoT, IA e 5G para aumentar a eficiência, sustentabilidade e automação de serviços essenciais, impulsionadas por novos incentivos fiscais e desburocratização.
Soluções de automação, segurança e eficiência operacional são alguns dos assuntos abordados na Intermodal 2026 que recebeu Eduardo Bittencourt, presidente do Parque Tecnológico de Santos. A maior feira de logística da América Latina, acontece até o dia 16 de abril no Distrito Anhembi e reúne
Situado à beira de um dos maiores portos da América Latina, o Parque Tecnológico de Santos é um dos principais polos de inovação e pesquisa do Brasil que tem como objetivo incentivar o desenvolvimento da tecnologia, o empreendedorismo e a sustentabilidade na região.
“O Parque Tecnológico de Santos foi idealizado como um verdadeiro hub de inovação, desempenhando um papel estratégico na transformação digital e econômica da Baixada Santista. Sua missão é conectar empresas, universidades e instituições de pesquisa, promovendo um ambiente colaborativo e dinâmico que impulsiona o desenvolvimento regional, com dinâmicas territoriais para as empresas e autoridades portuárias”, destaca Eduardo Bittencourt, presidente do Parque Tecnológico.
Com uma estrutura moderna e funcional, ocupa um edifício de mais de 7 mil m², que abriga salas de coworking, espaços privativos, auditório, laboratórios e áreas para eventos.
A iniciativa é fruto de parcerias estratégicas com a Prefeitura de Santos, a Autoridade Portuária, o SEBRAE e diversas instituições de ensino, criando uma rede de colaboração que impulsiona o desenvolvimento regional.
Além disso, o Parque Tecnológico desempenha um papel fundamental na incubação de empresas, facilitando a criação de novas tecnologias e atraindo investimentos para a região.
Desenvolvimento regional
Por ser uma fundação pública, o Parque Tecnológico, tem um conselho administrativo formado por cinco cadeiras do governo, cinco cadeiras das universidades e cinco cadeiras do do iniciativa privada. “Essa articulação forma o que chamamos de Tríplice Hélice, a reunião entre governo, universidades e empresas. Dessa forma ganhamos espaço e autonomia nos projetos”.
E mais do que um hub de pesquisa e inocação é um espaço que incentiva a empregabilidade. “Temos missão, junto a prefeitura de Santos, para aumentar a empregabilidade na área de tecnologia e inovação, principalmente com o olhar portuário. Nosso propósito é pegar uma série de bons projetos que estão sendo desenvolvidos e que muitas vezes vão apenas para uma prateleira e usá-los na prática, para conectar pessoas e empreendedores e fazer disso um negócio, de fato, que vai gerar emprego, renda, contribuição”, reforça o presidente do Parque.
Sustentabilidade como prioridade
Segundo Bittencourt, o Parque Tecnológico de Santos possui três vocações principais, sendo uma delas a Economia Azul. Essa área abrange a logística portuária, a transição energética e a sustentabilidade, com um foco especial em avaliar e mitigar os impactos no território, promovendo um desenvolvimento equilibrado e sustentável para a região.
Ele explica que há três anos possuem acordos de cooperação técnica, com tratados portuários encubados em conjunto. Um dos projetos desenvolvidos é o algoritmo chamado Data Versi, que utiliza câmeras para detectar resíduos no mar, contribuindo para a preservação ambiental. Outro destaque é o Eco-Palets, uma solução de hardware projetada para reduzir a emissão de óxidos e melhorar a eficiência no uso de embarcações, inicialmente focada nas lanchas de praticagem.
“A ideia é expandir essa tecnologia para outros equipamentos de pequeno porte que operam no Porto de Santos”, afirma.
Esses projetos são frutos do ESG Challenge, um hackathon promovido pela autoridade portuária em parceria com o Parque Tecnológico e o Sebrae. “Nós fornecemos a metodologia e coordenamos a aplicação do desafio, incentivando a criação de soluções inovadoras que alinham tecnologia e sustentabilidade. A iniciativa é anual e reforça o nosso compromisso com o desenvolvimento de tecnologias que impactem positivamente o meio ambiente e a economia local”, destaca Bitencourt.
A start up vencedora ganha uma bolsa de mais de R$ 30.000 e também um período de 2 anos de incubação, que pode ser renovado.
“Sem preservar o oceano, não haverá portos. É fundamental pensar no futuro da logística de forma sustentável”, conclui.
A geração da tecnologia
Quando falamos em start ups e tecnologia, ainda é muito comum associarmos essas iniciativas a uma população jovem. Pensando no mercado e nos profissionais do futuro, uma pesquisa da consultoria Forrester revela que 74% dos profissionais em 2030 serão millennials e membros da geração Z.
Ou seja, mais de 70% do mercado será formado por trabalhadores com total intimidade com recursos tecnológicos e que terão a expectativa de manter no ambiente de trabalho o mesmo modelo hiperconectado que os acompanha desde o nascimento.
Diante dessa realidade, Eduardo confirma que vivemos um momento de troca de gerações nas grandes empresas, especialmente nas familiares, que hoje estão mais abertas a compreender o papel e a importância da tecnologia. Ele destaca que a pandemia e a inteligência artificial aceleraram esse processo, obrigando muitos a se familiarizarem com a tecnologia no âmbito pessoal e agora a aplicarem no contexto empresarial.
“Ainda assim as grandes empresas enfrentam desafios naturais para implementar novas tecnologias devido à complexidade de suas estruturas, como boards e comitês, o que torna o processo mais lento em comparação às startups, que têm maior agilidade.
E completa:“A inteligência artificial tem sido uma ferramenta para equiparar esses potenciais, mas é essencial que a cultura de inovação seja comprada pela alta gestão para garantir continuidade e resultados a longo prazo”, explica.
Ele também ressalta que o retorno sobre o investimento em inovação não pode ser medido da mesma forma que outras iniciativas, como redução de custos ou implementação de tecnologias já validadas. “A inovação tem uma curva mais longa, mas, quando bem-sucedida, oferece retornos exponenciais. É preciso olhar para isso de forma estruturada e com apoio do poder público, pois esse movimento não pode ser feito sozinho”, conclui.
A sustentabilidade da inovação nas empresas depende de um entendimento estratégico e top-down por parte da alta gestão, especialmente em grandes corporações. A cultura de inovação precisa ser incorporada pela liderança para garantir resultados a longo prazo, considerando que o retorno sobre o investimento em inovação tem uma curva mais longa, mas pode gerar retornos exponenciais.
“Para que isso aconteça é essencial estruturar iniciativas de inovação com apoio do poder público, que desempenha um papel fundamental por meio de políticas e incentivos, como a Lei do Bem, a Lei de Informática e legislações estaduais e municipais. Esses fomentos são cruciais para impulsionar projetos e talentos, promovendo o desenvolvimento sustentável e tecnológico”.
Start Ups e os desafios e oportunidades no setor portuário
As startups têm um enorme potencial para transformar o cenário da intermodalidade no Brasil, ajudando a superar os gargalos logísticos que ainda travam o desenvolvimento do setor. “O Brasil, apesar de seus inúmeros problemas estruturais, é visto como um mercado promissor por ecossistemas de inovação ao redor do mundo. Quanto mais problemas existem, mais oportunidades surgem para melhorias e, consequentemente, para atrair recursos. O dinheiro está em resolver problemas”, destaca o especialista.
O país, com seus tantos garalos e desafios, oferece um terreno fértil para empreendedores que enxergam oportunidades onde outros veem dificuldades. E para que esse desenvolvimento de fato aconteça, é necessário que as startups identifiquem problemas significativos, com impacto financeiro relevante, para atrair grandes empresas como potenciais clientes. “Não adianta implementar uma tecnologia avançada em um mercado que não tem capacidade de pagar por ela. É preciso focar nos grandes problemas que movimentam recursos financeiros”, explica Bittencourt.
A inteligência artificial (IA), por sua vez, surge como uma ferramenta indispensável nesse cenário. Seja para otimizar processos internos ou como produto final oferecido ao cliente, o uso da IA tem um diferencial competitivo. “Hoje, nove em cada dez fundos de investimento incluem a inteligência artificial em suas teses de investimento. É uma necessidade para startups que buscam recursos e querem se destacar no mercado”, explica o executivo.
Entretanto, ele alerta que o caminho da inovação não é simples. Grandes empresas, muitas vezes, enfrentam dificuldades em adotar novas tecnologias devido a estruturas rígidas e mudanças de gestão que podem descontinuar projetos promissores. “A inovação exige continuidade e visão de longo prazo, algo que nem sempre é compatível com a lógica de curto prazo de algumas gestões, tanto no setor público quanto no privado”.
O setor portuário, em específico, com sua infraestrutura robusta e barreiras de entrada elevadas, exige conhecimento especializado. “Se as grandes empresas não investirem em inovação, correm o risco de serem substituídas por startups que surgem de dentro do próprio mercado, como aconteceu com a Blockbuster e a Netflix”, exemplifica.
A mensagem é clara: as grandes empresas precisam embarcar na transformação tecnológica e sustentável para não ficarem para trás em um mercado cada vez mais dinâmico e competitivo.
Para ficar por dentro das novidades e inovações do setor de logística, acompanhe a cobertura da Intermodal 2026, que há três décadas se consolida como o principal evento de logística, transporte de cargas e comércio exterior das Américas, pelo portal Modal Connection.