Sou da ideia de que a perfeição não existe, especialmente em uma área tão complexa quanto a nossa. A construção de um ambiente funcional envolve escolhas difíceis: quantos intervenientes precisamos selecionar, quantas pessoas devemos chamar para trabalhar conosco. Como realizar a entrevista ideal para escolher o melhor analista de importação? E as escolhas podem ser erradas? É um processo complexo e complicado, mas acredito que a evolução é contínua. E sim, evolução não significa necessariamente melhoria, mas sim alcançar um próximo estágio.
Existem situações envolvidas, pessoas capacitadas e um objetivo comum: o custo da sua carga para ser importada ou como ela chegará ao cliente na Suécia. No final das contas, não se trata apenas de resiliência ou inteligência de mercado, mas do quanto você conseguirá economizar na operação. Muitas vezes, um bom profissional custa caro e não vale o investimento. Por outro lado, contratar alguém sem tanta experiência, mas com vontade de aprender, também é um ponto válido a ser analisado.
A saúde do ambiente e da operação
Falamos de custos, vontades, métodos e investimentos, mas há um aspecto que muitas vezes ignoramos: nosso ambiente é saudável? A operação é saudável ou uma armadilha? Quando pensei em escrever este artigo, imaginei análises de custos e desenvoltura dos envolvidos, mas percebo que vai muito além disso. Trata-se de até onde você e os envolvidos estão dispostos a suportar.
Digo isso porque estamos diante de uma questão que afetará a todos: a entrada do Catálogo de Produtos e DUIMP. O que, em teoria, parece incrível, na prática tem sido deixado de lado. Ainda há despachantes aduaneiros com mentalidade do século XIX, pedindo descrição de itens para o importador, mesmo com o catálogo pronto. Ou importadores que ainda recorrem ao “jeitinho brasileiro” para fazer maracutaias. Afirmo: o Catálogo de Produtos vai evoluir e teremos a valoração de produtos, um caminho sem volta. Isso pode não agradar a todos, mas quem trabalha na área precisa se adaptar às mudanças contínuas.
Falei de melhorias externas, mas de que adianta viver em conflito com o interveniente só porque ele tem uma negociação boa para você? Quem disse que isso é suficiente? Se você negociou com uma Trading há 20 anos, quem garante que os valores de processo ainda são competitivos? E o agente de cargas que embarca sem negociação? Os problemas acontecem dentro de nossos CNPJs e, como diz minha terapeuta, “a mudança começa em casa e não por fora”. Vejo empresas cometendo erros graves e afirmando que são competitivas, que têm os melhores parceiros logísticos e funcionários. Mas que comparação é essa?
Recentemente, prestei serviços para uma empresa e, mesmo sendo uma pessoa conhecida no comércio exterior, com muitos vídeos no YouTube, enfrentei dificuldades de adaptação. Não concordava com o “modus operandi” da empresa e percebia que, na prática, aquilo não fazia sentido. Cometi erros grosseiros, culpei a todos, mas a cultura da empresa também me levava a cometer erros. No final, fui desligado. Saí revoltado, mas a responsabilidade era tanto minha quanto deles. Eu falhei.
Evolução e melhoria: conceitos distintos
Não acredito na ideia de que “é errando que se aprende”, pois vejo histórias semelhantes à minha por aí. Todos falhamos, mas quem não falha? A troca também é importante. Não adianta querer revolucionar o ambiente e forçar situações quando quem te contratou não quer isso. A adaptação é essencial.
Voltando ao ponto inicial, a melhoria deve ser contínua, sem esquecer os princípios do que é certo. A busca por algo melhor também. Isso vai além de valores monetários; envolve caráter e vontade. Recentemente, conheci despachantes aduaneiros e percebi uma divisão interessante: alguns eram de canal verde, outros de canal cinza.
- Canal verde: Despachantes tranquilos, que vivem bem e estão satisfeitos. Porém, quando surge algo complexo, como uma revisão de estimativa ou um cliente maior, eles te deixam de lado, não dão atenção e não têm consideração, mesmo em situações críticas.
- Canal cinza: Despachantes experientes e comprometidos. Estão ao seu lado em momentos difíceis, aconselham sobre as melhores escolhas e atendem com calma, seja às 8h ou às 20h, mesmo em situações de alta pressão.
Hoje, prefiro ser um canal cinza. As experiências, os tropeços e os “nãos” da vida me deram uma armadura quase impenetrável, mas ainda vulnerável em alguns pontos. Como profissional, estou aqui para aprender, pois não sei tudo e nem quero saber. Prefiro estar em melhoria contínua, buscando sempre o ideal, assumindo meus erros e acertando às vezes, entendendo que é um processo em constante evolução.
O comércio exterior é isso: troca dolorida, melhoria contínua e conhecimento infinito. Trabalhei em duas empresas em momentos diferentes da minha vida, ambas do mesmo ramo e com culturas parecidas. Me adaptei melhor em uma do que na outra. Não é questão de melhor ou pior, mas de onde consegui me adaptar com mais tranquilidade. Em outras palavras, o contratado também precisa se adaptar à empresa.
Evolução é uma coisa, melhoria é outra. Prefiro estar em melhoria contínua, pois isso vai além de valores financeiros ou ambientes empresariais.