A exportação de carne bovina congelada apresenta diversos desafios logísticos para frigoríficos e transportadoras. O 4º Interlog Summit, que acontece durante a Intermodal South America 2026, trouxe um case de sucesso onde a Agra e a Maersk construíram uma cadeia de suprimentos integrada e totalmente orientada à exportação.
Igor Stocker, Gerente Regional da Costa Leste da América do Sul da A.P. Moller – Maersk, e Rosali Fernandes de Vasconcellos, Gerente de Operações da Alibem & Agra, contaram como foi o desenvolvimento deste processo complexo de multimodalidade, gerando eficiência, inovação e entrega de produtos com qualidade assegurada para mercados internacionais.
Confira os destaques da palestra “Integração da cadeia de exportação da proteína bovina para maximizar resultados no mercado externo”, do primeiro dia de congresso da Intermodal.
Os desafios iniciais
A Agra Agroindustrial de Alimentos S.A. atua no processamento de bovinos em uma das principais regiões pecuárias do país. Com sede em Rondonópolis, no Mato Grosso, a empresa tinha o desafio de operacionalizar a exportação via porto de Santo (SP) para a carga congelada. Os produtos vão para a Europa, China e EUA e tem produção de carne Halal.
Quando a Agra iniciou sua parceria com a Maersk, as principais barreiras desta operação eram:
- indisponibilidade de contêineres em determinados momentos;
- forte dependência de fatores logísticos externos (greves, variação do diesel);
- alta carga administrativa na gestão de múltiplos fornecedores e etapas;
- falta de visibilidade das condições da carga durante o processo de exportações;
- processos complexos para concluir trâmites de exportação.
Rosali destacou a importância de investir na operação logística, mesmo diante de desafios iniciais. “Você tem que insistir. É óbvio que quando inicia a operação, é preciso fazer os ajustes”, afirmou.
Ela explicou que, no início, a operação enfrentou dificuldades, como a necessidade de ajustar horários e processos para garantir a eficiência. “A carne não espera o contêiner, o contêiner espera a carne”, afirmou.
São dois dias de viagem para os contêineres chegarem à planta, onde serão verificados e depois aguardam os produtos nas docas. Assim, os contêineres devem ficar mais tempo disponíveis.
Soluções para os contêineres vazios
Segundo os executivos as soluções desenvolvidas para os vazios, foram:
- disponibilidade de contêineres vazios e atividades de reparo próximos a planta do cliente;
- logística para abastecimento de vazios na fábrica da Agra;
- fluxo otimizado com a implantação do transporte rodo-ferroviário junto a garantia de equipamentos Maersk;
- redução da complexidade operacional administrativa;
- redução de custos com demurrage, com maior controle do fluxo e prazos;
- redução da emissão de CO²;
- know-how e networking otimizado para maximizar e garantir o fluxo cheio.
Rosali ressaltou a relevância da parceria com a Maersk para superar gargalos logísticos e implementar soluções intermodais. “A operação começou com a necessidade de ajustar a logística para atender à demanda de exportação, especialmente durante a greve do transporte rodoviário em 2018, que foi um marco para repensarmos a operação”, explicou.
A operação do transporte rodoviário que era de aproximadamente 10 dias, no novo ciclo de ferroviário foi reduzido para 5 a 6 dias. Isso representa menor exposição à riscos, menor custo, melhor sincronização entre etapas, maior fluidez na operação, aumento na produtividade e menor emissão de CO².
A planta da Agra exporta cerca de 70% de sua produção, segundo Rosali, o que exige uma logística robusta e eficiente. “A planta aceita quebrar paradigmas para ajustar a operação e garantir que o produto chegue ao destino com qualidade.”
Igor Stocker, da Maersk, apontou a integração logística como um diferencial competitivo, especialmente no transporte ferroviário. “Hoje, somos um dos maiores transportadores de contêineres de ferrovia no Brasil, com operações que abrangem praticamente todos os operadores ferroviários”, afirmou. A Maersk realiza cerca de 400 mil transportes por mês, sendo 15% desse volume movimentado por ferrovia, o que reflete a eficiência e a sustentabilidade da operação.
Desembaraço aduaneiro
Sobre as soluções para desembaraço aduaneiro, o fluxo operacional integrado desenvolvido pela Agra e Maersk para a planta de Rondonópolis, proporciona:
- Compartilhamento de informações on-time;
- Gestão de contingências (como DUE e Mapa);
- Integração com Serviço de Ocean;
- Possibilidade de extensão de deadline documental;
- Integração das informações de desembaraço aduaneiro na plataforma;
- Tramites para obtenção de Certificações Específicas (como Halal e Koscher)
Monitoramento da carga em tempo real
Outro ponto abordado na palestra foi a importância da visibilidade e do monitoramento em tempo real da cadeia logística. “A plataforma de visibilidade que oferecemos permite monitorar toda a etapa do trajeto, receber informações e acompanhar onde a carga está, a temperatura e as condições gerais. Isso é um diferencial importante”, afirmou Igor. Ele explicou que a ferramenta também analisa riscos portuários e oferece alternativas para otimizar custos e prazos, ajudando exportadores a tomar decisões mais assertivas.
Rosali complementou destacando os benefícios da transparência e da comunicação com os clientes. Especialmente em carne in natura congelada, onde a exigência de temperatura é muito rígida, a carga tem que estar a -18ºC ou pode nem ser recebida pelo cliente.
“Agora temos como acompanhar nossa carga em tempo real. A transparência com o cliente, que acompanha a chegada e os alertas, é essencial”, disse. Ela também mencionou que a operação intermodal trouxe ganhos significativos, como a redução de custos administrativos e a possibilidade de alocar recursos humanos para outras operações.
Sustentabilidade na cadeia
Os palestrantes ressaltaram ainda a importância de práticas sustentáveis na cadeia de exportação. “A solução logística também aborda a questão de sustentabilidade, que é um tema cada vez mais relevante, especialmente para exportação”, afirmou Igor. Ele afirmou que a plataforma da Maersk ajuda a mitigar impactos ambientais e otimizar processos, alinhando-se às exigências do mercado internacional.
Com uma abordagem prática e inovadora, as empresas destacaram como a integração logística e o uso de tecnologia podem transformar a cadeia de exportação de proteína bovina, garantindo eficiência, sustentabilidade e competitividade no mercado externo.
O case da Agra e da Maersk reforça a importância de parcerias estratégicas e soluções integradas para enfrentar os desafios do setor. “A operação está consolidada, mas sempre há espaço para melhorias. É preciso ajustar a operação continuamente e não se acostumar com gargalos”, finalizou Rosali.
Reconhecida como o principal evento de logística, transporte de cargas e comércio exterior das Américas, a Intermodal South America 2026 está acontecendo no Distrito Anhembi, em São Paulo, até 16 de abril. Acompanhe nossa cobertura completa e conheça as tendências, tecnologias e soluções do setor.