Em meio a conflitos geopolíticos e tensões comerciais, o cenário logístico global enfrenta transformações profundas. Na 30ª Intermodal South America, o economista e ex-presidente do Banco dos BRICS, Marcos Troyjo, destacou como esses fatores, aliados às mudanças demográficas, estão redesenhando as cadeias de suprimentos e posicionando o Brasil como um destino estratégico para investimentos.
Para Troyjo há pouco se definia a globalização como o principal consutor da logística. Hoje, essa realidade mudou. O que move o setor é a geopolítica. “Há uma diferença fundamental entre pensar em infraestrutura e comércio exterior sob a ótica da globalização e planejá-los sob o prisma da geopolítica”, destaca o especialista.
O diplomata explica que atualmente, empresas e países estão redimensionando suas estratégias. Na logística, assim como os economistas dividem o campo em micro e macroeconomia, vivemos um momento em que a geopolítica assumiu o protagonismo.
Diante dessa realidade, Marcos Troyjo alerta para a necessidade de dividir os desafios em duas frentes: as dinâmicas microgeopolíticas, que exercem influência imediata e intensa sobre os mercados em ciclos curtos; e as macrogeopolíticas, que possuem um arco temporal de 20 a 25 anos e moldam o futuro estrutural do setor.
No campo micro, o especialista destaca dois eventos centrais dominam as atenções:
- A “Trumpulência” e os EUA: uma combinação de turbulência e incoerência que molda a política econômica norte-americana devido às decições de seu atual presiente. E que, por consequência, altera o comportamento das empresas, dos fluxos globais de capital e das cadeias produtivas.
Troyjo explica que o atual momento americano é de contradição.” Ao mesmo tempo em que promove uma desburocratização vigorosa e corte de impostos para atrair investimentos internos, a política comercial protecionista pode prejudicar gigantes globais. Visto assim, uma nova onda de infraestrutura logística nos EUA, desafiando a competitividade de países como o Brasil”, ressalta.
- O “Overcapacity” Chinês e Estrangulamentos: A China enfrenta uma supercapacidade de produção (imóveis, ferrovias e transição energética). Com mercados globais saturados, o Brasil permanece um dos poucos a absorver essas importações. Paralelamente, o “estrangulamento” de insumos essenciais (como minerais críticos) tornou-se arma de negociação, com a China buscando dominar setores como o farmacêutico e de Inteligência Artificial (IA).
A Fronteira de 2050: Robótica, Colonização e Alimento
No campo macro, o especialista vê um cenário de transformações profundas. “Enquanto Elon Musk vislumbra o fundo do mar e outros planetas como novas fronteiras, a robótica humanoide avança para resolver o gargalo da mão de obra, embora a complexidade da mão humana ainda seja o desafio final”.
Marcos Troyjo explica que estamos caminhando para um futuro onde a mão de obra, a comida, a energia e os minerais críticos — insumos essenciais para as ciências e a economia do século XXI — serão os grandes focos de atenção. Esses elementos se tornarão centrais nas dinâmicas globais, influenciando diretamente as estratégias econômicas e logísticas.
E o Brasil tem uma grande capacidade para atender essa demanda. Segundo o último relatório da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), Brasil é o segundo país que mais recebeu fluxos de investimento estrangeiro direto (IED), nos primeiros seis meses do ano, ficando atrás apenas dos Estados Unidos.
De acordo com o documento, os fluxos de IED para a China continuam em queda devido ao aumento dos riscos geopolíticos e à incerteza econômica no país. Esses fatores têm afetado diretamente a confiança dos investidores estrangeiros, redirecionando o foco para mercados considerados mais estáveis, como o Brasil.
Esses resultados abrem caminhos para alogística brasileira quetem um futuro promissor mesmo diante das dificuldades e inseguranças que o pais enfrenta hoje.
Ainda segundo o especialista, a população mundial começa a cair em países do G7, Rússia e China. Contudo, em nove nações (incluindo Índia, Nigéria e Indonésia), o crescimento será brutal. Em 2050, o planeta terá 10 bilhões de pessoas ávidas por alimento, energia e infraestrutura.
“Para o setor de logística, o sucesso dependerá da conexão entre esses recursos naturais essenciais e o avanço tecnológico imenso, garantindo a sobrevivência e a fluidez da economia global”, conclui Troyjo.
A Intermodal 2026 acontece até o dia 16 de abril com mais de 91 horas de conteúdo e mais de 100 palestrantes que discutem o futuro da logística no país. Acompanhe a cobertura completa no Modal Connection.