Ahhh, a Copa do Mundo está em pleno andamento! São 48 nações competindo em três países diferentes: Estados Unidos, Canadá e México. Muitos corações apaixonados, muita torcida e expectativas elevadas para alguns dos participantes. Além dos bares com jogos transmitidos o dia todo, há também as conversas que vão desde o elevador até os bolões nas empresas. E eu afirmo: tudo isso desperta muita emoção e alimenta o clássico debate do “acho que esse é melhor do que aquele”.

Minha vida sempre esteve voltada ao comércio exterior desde que me reconheço como profissional, e gosto de analisar o que está por trás dos bastidores de eventos como este. Certo, vamos falar da Copa. Se considerarmos que cada delegação leve cerca de 50 pessoas, o número final é bastante elevado, já que teremos aproximadamente 2.400 pessoas apenas nesse aspecto, sem contar os materiais de treino, uniformes e outros itens.

Um grande evento como esse envolve não apenas pessoas, mas também materiais e uma gestão de tempo extremamente cuidadosa. Além disso, atravessar três países para realizar o evento traz um impacto significativo: a logística. É o desembaraço de cargas que chegam nos Estados Unidos e, em dois dias, precisam estar no Canadá. É um desafio complexo.

No passado, já houve casos de seleções que precisaram jogar com camisas emprestadas porque o material não chegou a tempo. Certamente, uma grande dor de cabeça.

Agora, vamos pensar em outro grande evento, fora do contexto da Copa. Imagine que o Metallica vai tocar novamente em São Paulo (aliás, foi o melhor show que já fui). Quanto trabalho está envolvido nisso? Como a guitarra de James Hetfield ou a bateria de Lars Ulrich chega ao Estádio do Morumbi? É um processo complexo. E, lembrem-se, em dois dias tudo isso estará no Chile ou em outro país.

O que quero destacar é que eventos desse porte exigem estratégia, deslocamento, planejamento e logística, além de muito controle e, às vezes, um pouco de sorte. Os desembaraços aduaneiros acontecem quase simultaneamente, e se algo não estiver em conformidade com as leis locais, seja aqui ou lá fora, nada é liberado.

Sim, há muito mais por trás de um simples jogo de futebol em Miami ou de um show em um estádio brasileiro. As empresas precisam planejar tudo com bastante antecedência, mas, muitas vezes, a correria é desenfreada. No entanto, é gratificante ver o resultado final funcionando perfeitamente.

E os seguros internacionais? Os agentes de carga envolvidos? Os fiscais da Receita Federal e outros intervenientes? É um trabalho gigantesco em um curto espaço de tempo. E pode surgir algo inesperado, como um show extra ou uma seleção de Cabo Verde classificada para a próxima fase, jogando contra a Argentina em Miami. Nessas situações, as equipes de planejamento precisam se desdobrar, muitas vezes trabalhando noites afora, para garantir que tudo saia conforme o esperado.

Outro dia tive um “Papo com Especialista” com meu amigo Thiago Dalke, CEO de uma empresa de seguros corporativos e entre perguntas e respostas, falamos de eventos como a Fórmula 1, por exemplo, onde o carro vem de alguma parte do mundo, chega no Brasil, é montado, pode ter o acidente na corrida, precisa ir para a próxima corrida em outro país, mas precisa ser desembaraçado, mesmo com avaria. E o que fazer? Bem, lá vão intervenientes trabalhar o quanto antes para aquilo ser efetivo.

Aliás, estive na última INTERMODAL e, logo depois que a feira acabou, tudo tinha que ser desmontado de imediato, para que o evento do dia seguinte pudesse acontecer. Que doidera. Ou seja, enquanto um evento acaba, outro começava. Haja coração, já diria Galvão Bueno.

Ou seja, para que um evento seja realizado com êxito, os intervenientes envolvidos devem estar na mesma página, os processos redondos, as admissões temporárias feitas e efetivadas com sucesso e possíveis intercorrências pensadas antes. E vamos para o próximo evento…

E o mundo vive disso, é uma loucura, mas eu amo pensar que um evento grande assim movimenta muita gente, a economia roda, visitantes aparecem e além disso, muitos negócios podem ser feitos. E nessa realidade, entrar em um evento desse e fazer parte de 10% dele, seja um despachante, agente de cargas ou mesmo uma das empresas contratadas para essa roda gigante funcionar me faz brilhar os olhos. E acreditem, além do glamour, tem muita coisa a ser feita para a engrenagem ser azeitada e tudo dar certo.

Bem, que vençam os melhores, que os shows sejam um sucesso ou que as feiras e eventos estejam lotadas. O pessoal no background agradece.