Os 30 anos de Intermodal South America são testemunhas do impacto que os modais de transporte exercem na economia nacional. No primeiro dia de Congresso Intermodal, o painel “Destravando o Brasil: corredores logísticos estratégicos e modais integrados para conectar mercados globais” reuniu representantes do setor em torno de conquistas e expectativas do setor.
Sob mediação de Rodrigo Vilaça, CEO da RV Soluções Logísticas, participaram da discussão Roger Pêgas, superintendente de rodovias (ARTESP); Tiago Toledo Ferreira, chefe do departamento de logística da área de Infraestrutura (BNDES); Guilherme Segalla de Mello, presidente da MRS Logística; e Paulo Roberto Oliveira, diretor de dados e autorregulação (ANTF).
As obras e investimentos na infraestrutura nacional, a integração de modais, os desafios e gargalos do setor, sustentabilidade e as conexões globais foram pontos levantados durante o painel.
Acompanhe os destaques da discussão nos próximos tópicos.
Investimentos e destaques da malha ferroviária
Representando todos os modais de infraestrutura com exceção das rodovias, Ferreira compartilhou como o BNDES atende o setor. “A nossa visão é que nossa rede de transporte, como sistema, os meios de transporte não concorrem. É uma rede que, se bem integrada e com cada meio tendo sua potência explorada, a gente consegue dar um passo adiante”, comentou.
O desafio do banco é como “destravar os investimentos” nos modais de transporte. Ferreira apontou ainda que a ferrovia e os modos aquaviários são os grandes focos do BNDES no momento.
Ele ainda destacou que o Brasil está em um bom momento de investimentos em infraestrutura, por três pontos:
- Um ciclo de bons projetos, tanto em engenharia como em bancabilidade;
- O cenário regulatório;
- E o mercado de capitais, destacando principalmente a lei de debêntures.
Representando a Associação Nacional dos Transportadores Ferroviários (ANTF), Oliveira trouxe dados relevantes sobre a infraestrutura ferroviária no país.
Em 30 anos, o setor bateu o recorde de produção ferroviária com 409 bilhões TKUs em 2025. No triênio de 2025 a 2027, o painelista destacou o maior ciclo de investimentos já registrado no setor, todo em recursos privados.
“As ferrovias brasileiras hoje têm padrões de segurança mais altos do que dos Estados Unidos, que é o benchmarking referência do mundo. Igualmente, tem melhor eficiência energética”, apontou Oliveira. O frete ferroviário, mesmo partindo de iniciativa privada, é o terceiro mais barato do mundo, perdendo apenas para Rússia e China, que são modelos estatais.
Cenário de aumento de competitividade e integração
Outro dado apresentado pelo diretor da ANTF é que ¼ da balança de exportação do Brasil vem das ferrovias, o que é bem característico pelo escoamento de produtos commodities.
O mediador Rodrigo Vilaça ressaltou que o modal rodoviário é o maior do Brasil. Roger Pêgas complementou que, após uma reestruturação em 2024, a ARTESP se tornou o maior operador de modais do país, sendo responsável pela fiscalização dos transportes rodoviário, aeroportuário, hidroviário e metroviário estaduais, além do transporte coletivo intermunicipal.
Pêgas destacou desafios e oportunidades dessa ampla rede. Por exemplo, a operação do Porto de Santos que é integrada aos modais ferroviário e rodoviário. E o papel da Hidrovia do Tietê, a mais eficiente do país.
Complementando o tópico da multimodalidade, Mello compartilhou conquistas da MRS Logística em 30 anos. Com destaque no marketshare rodoviário, ferroviário e hidroviário, a MRS atua nos estados de Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo. Só a linha ferroviária passa por 110 municípios.
O case compartilhado com os congressistas foi a integração entre hidrovia-ferrovia. Em 2023, com o objetivo de atender principalmente o mercado agro, foi desenhada a integração no terminal de Pederneiras (SP). A carga viaja 637 km pela hidrovia Tietê e mais 523 km de trem até o Porto de Santos.
Sustentabilidade na multimodalidade
No tópico sustentabilidade, o tema de transição energética foi abordado por Toledo, que destacou o histórico “limpo” da matriz energética do Brasil.
O Fundo Clima foi lembrado, tanto pelo representante do banco como pelo presidente da MRS. Para 2026, estão previstos R$ 27 bilhões para financiamento. Sobre os investimentos do BNDES, Toledo lembra que “financiamento verde não é só reduzir emissões de carbono, mas pensar na resiliência climática”, elemento importante para toda a infraestrutura de transportes.
Congresso Intermodal 2026
A programação do primeiro dia também abordou a agenda climática global, desafios geopolíticos, armazenagem, rodovias inteligentes e outros temas em destaque para o setor.
Continue acompanhando o Modal Connection para conferir a cobertura completa da Intermodal South America 2026.