Os portos brasileiros atravessam um período de expansão, reafirmando sua relevância para a economia nacional e global. Dados da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (ANTAQ) revelam que, em 2025, o setor movimentou 1,4 bilhão de toneladas de cargas, um aumento de 6,1% em relação ao ano anterior, marcando o maior volume já registrado na série histórica. Os portos públicos foram responsáveis por 497 milhões de toneladas, com destaque para o Porto de Santos, que liderou o ranking nacional ao movimentar 142,8 milhões de toneladas no período.
Esse crescimento, embora positivo, traz consigo desafios operacionais e de segurança cada vez mais complexos. O Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2026 alerta para o uso da infraestrutura logística do país como rota estratégica para o tráfico internacional de drogas. A chamada “Rota Caipira”, utilizada pelo Primeiro Comando da Capital (PCC), tem como principais pontos de saída os portos de Santos (SP) e Paranaguá (PR), de onde a cocaína é enviada para Europa, África e Ásia. Nesse cenário, a adoção de tecnologias avançadas para monitoramento, rastreabilidade e gestão integrada torna-se essencial para proteger essas infraestruturas críticas.
Integração tecnológica: o futuro da gestão portuária
De acordo com Alexandre Krzyzanovski, diretor de Engenharia do Grupo Pumatronix, os portos brasileiros precisam evoluir para um modelo de gestão baseado em ecossistemas tecnológicos integrados. “Hoje, não basta ter equipamentos isolados de monitoramento. É necessário conectar controle de acesso, videomonitoramento, inteligência artificial, análise de dados e monitoramento ambiental em tempo real para garantir segurança e eficiência operacional”, explica.
Entre os principais desafios está o controle de acessos, que envolve a circulação diária de centenas ou milhares de veículos. Soluções manuais já não atendem à demanda por agilidade e rastreabilidade. Para enfrentar esse cenário, o Grupo Pumatronix desenvolveu tecnologias que automatizam a leitura de placas, identificam contêineres conforme a norma ISO 6346, realizam reconhecimento facial de motoristas e integram dados operacionais, permitindo validar acessos, identificar irregularidades e registrar toda a movimentação de pessoas, veículos e cargas.
Monitoramento inteligente e prevenção de incidentes
Outro avanço significativo está no monitoramento das áreas operacionais. Câmeras equipadas com inteligência artificial identificam veículos parados em locais inadequados, obstáculos nas vias internas, movimentações suspeitas e pessoas em áreas restritas. O processamento das informações ocorre em tempo real, permitindo respostas rápidas e ampliando a capacidade de prevenção de incidentes.
No transporte de cargas, a tecnologia High Speed Weigh-in-Motion (HS-WIM), desenvolvida pela WimRadar, identifica caminhões com excesso de peso sem necessidade de parada, contribuindo para a preservação da infraestrutura dos terminais e redução de custos de manutenção.
Segurança de cargas perigosas e monitoramento ambiental
A segurança de cargas perigosas também é prioridade. Soluções com câmeras térmicas e inteligência artificial verificam permissões para transporte de produtos perigosos e identificam aquecimentos anormais em veículos e contêineres, emitindo alertas preventivos antes mesmo da entrada no terminal.
Além disso, fatores ambientais influenciam diretamente a eficiência portuária. Estações meteorológicas inteligentes da Plugfield monitoram variáveis como vento, chuva e temperatura, auxiliando na tomada de decisão em operações sensíveis às condições climáticas, como atracação e içamento de cargas.
Com a movimentação recorde e os desafios crescentes, os portos brasileiros avançam para um modelo de gestão baseado em dados, onde a tecnologia desempenha um papel central na transformação da infraestrutura logística do país. “Quando conectamos tecnologias em um ambiente integrado, deixamos de reagir aos problemas e passamos a antecipá-los, garantindo operações mais seguras, eficientes e estratégicas”, conclui Krzyzanovski.